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Montadoras

Os 5 principais desafios do novo CEO da Anfavea

Gestor da entidade deverá atentar para questões que envolvem políticas setoriais e a retomada do Salão do Automóvel
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Bruno de Oliveira

26 fev 2025

3 minutos de leitura

Surpresa para uns, bola cantada para outros, o fato é que Igor Calvet será o novo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores a partir de março. Ele ocupará um cargo inédito na história da Anfavea, o de CEO.

Em sua primeira manifestação pública, por meio de nota oficial divulgada pela entidade que representa as montadoras, Calvet sinalizou que sua gestão será baseada no continuísmo das gestões anteriores.

Em poucas palavras: diálogo com o governo, com as associadas, apoiar a inovação e costurar parcerias estratégicas para a construção de políticas setoriais.

Afora isso, o novo CEO da Anfavea também terá assuntos urgentes para resolver para além das macro questões mencionadas acima.

Na lista abaixo, AB apresenta uma lista dos cinco grandes desafios que o novo presidente terá à frente da associação.

1. Fazer o Mover se mover

O programa Mobilidade Verde (Mover) já é uma realidade mas ainda é algo com pendências a resolver, como, por exemplo, a sua regulamentação.

Do jeito que está, é como se todas as empresas tivessem topado entrar em um jogo mesmo sem saber as suas regras.

É certo que a aprovação do texto dessas regras é algo complexo uma vez que demanda consenso de diversos interlocutores.

Por outro lado, já se passou mais de um ano desde que o Mover se tornou lei, e a expectativa em torno de uma entidade de classe como a Anfavea é de que ela viabilize a celeridade da aprovação dessas regras.

2. Acordos bilaterais de comércio exterior

Nessa mesma toada das “pressões” que a Anfavea precisa exercer para que pautas caminhem em Brasília (DF) também está a questão dos acordos bilaterais.

A própria entidade reconhece que o Brasil, enquanto estado, precisa abrir portas no exterior para que as empresas daqui consigam novas frentes de negócio.

Nesse sentido, o ministro do MDIC e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, já sinalizou que pretende negociar algo do tipo com a Alemanha.

Se as montadoras, via Anfavea, deixarem claro que é preciso mais, é possível que o governo aumente o seu raio de atuação em outros mercados.

3. Equalizar produção nacional x importações de elétricos

Com a entrada de novas montadoras chinesas, e maior volume de importação de veículos, as montadoras que estão há mais tempo no Brasil precisam se reinventar para competir.

Está nas mãos da entidade não apenas buscar meios para que fabricantes possam nacionalizar novas tecnologias, como também formas fiscais de equilibrar o volume de exportação de elétricos.

A Anfavea defende a antecipação imediata da alíquota máxima do imposto de importação de veículos, mas será preciso fazer mais do que isso para tornar o ambiente produtivo local mais saudável.

4. O etanol é pop

Outro desafio da entidade será o de criar meios para que o etanol esteja mais presente no ideário do consumidor brasileiro.

A associação é um das defensoras da aplicação do biocombustível como ferramenta de descarbonização da frota flex circulante, algo que demanda também a costura de parcerias com outras entidades.

A Unica, por exemplo, iniciou uma campanha publicitária que tem como target (para usar um termo da propaganda) desmistificar algumas questões que ainda pairam sobre o etanol.

Quando veremos as montadoras à frente de similar campanha de comunicação?

5. Salão do Automóvel

Por fim, a realização do evento mais esperado dos últimos anos, a volta do Salão do Automóvel à agenda de eventos do setor automotivo nacional.

Que vai acontecer, isso já é certo. Como vai acontecer, já são outros quinhentos. E cabe à Anfavea entregá-lo ao público com uma nova cara, uma nova proposta, para atrair as atenções dos novos consumidores – e agradar as fabricantes.