
Uma novela que poderia ter um título como “Castelo de cartas” e cujo protagonista seria o Elon Musk brasileiro? Essa poderia ser a triste sinopse do sonho de termos de novo uma marca genuinamente brasileira, a Lecar.
O roteiro é recheado de clímaxes e também daquela “embromação” que acomete muitos folhetins. Mas que sofreu uma reviravolta agora, com a devolução do dinheiro a clientes que fizeram reserva de um carro que sequer existe.
Em entrevista ao jornalista Vinicius Montoia, do “Jornal do Carro”, do “Estadão”, o fundador e CEO da empresa, Flávio Figueiredo Assis, que se autointitulou o Elon Musk brasileiro, admitiu que a empresa já restituiu o dinheiro de 90% dos clientes que fizeram a pré-reserva do híbrido 459.
As idas e vindas da Lecar
Mais um capítulo nessa novela da operação da marca. Afinal, a Lecar já falou de produção em duas regiões do Brasil. Namorou a Bahia e depois prometeu a produção em Sooretama (ES) para agosto de 2026.
Nesse meio-tempo, a companhia mudou o plano de um veículo puramente elétrico para um elétrico com autonomia estendida (REEV). O Lecar 459, cuja pré-venda começou em setembro de 2024 – mediante sinal de R$ 1,3 mil -, teria as vendas iniciadas em 2026.
O ápice veio no Salão do Automóvel de 2025, quando a empresa investiu pesado para subir ao palco principal dos dias de imprensa do evento. Isso ao lado de montadoras tradicionais e das novas players chinesas.
Lá, mesmo sem produzir um único veículo – contudo, no embalo de ter sido homologada no Programa Mover -, a Lecar mostrou mais um carro, a picape Canto, novamente em mock-up. A fábrica ficou para 2027, só que uma rede com 150 concessionárias foi prometida para o fim de 2026.
O primeiro contratempo veio recentemente. Em junho, o Governo Federal, através do Ministério da Indústria (MDIC), suspendeu a habilitação da Lecar no Programa Mover por problemas na documentação.
Apesar de tudo, planos seguem de pé

Na mesma entrevista em que admite a devolução do dinheiro aos clientes que fizeram a pré-reserva do Lecar 459, o Elon Musk brasileiro garante que os planos da fábrica e do híbrido seguem em curso. Porém, sem dar detalhes.
À reportagem do Jornal do Carro, Flávio Figueiredo Assis ainda relatou uma tentativa frustrada de parceria com a chinesa Dongfeng.
A reportagem da Automotive Business fez contato com a Lecar. Até o fechamento da nota não houve retorno por parte da empresa.
No site da Lecar, a aba dedicada ao 459 mostra apenas que as vendas do híbrido por “valor especial” de R$ 159.300 estão encerradas. Acima, a frase: “Alguns aproveitaram. Outros aguardaram.”
