
Mais da metade (53%) dos brasileiros usam a bicicleta em trajetos cotidianos, como o deslocamento para o trabalho, faculdade e academia. Os acidentes de trânsito, porém, impedem esse número de crescer, já que mais de 1/3 dos ciclistas manifestam medo de serem vítimas de acidentes.
Os dados são da nova pesquisa da Tembici, que opera serviços de bicicletas compartilhadas em diversas cidades do país.
Segundo o levantamento, 70% dos usuários afirmam que desejam pedalar mais neste ano de 2025. Em contrapartida, 36% dos entrevistados citaram o medo de sinistros como o maior obstáculo para pedalarem com mais frequência.
Medo de acidentes é maior entre as ciclistas mulheres
A preocupação com acidentes é maior entre as ciclistas mulheres: 40% reportaram esse temor, enquanto, entre os homens, foram apenas 33%.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o terceiro país com maior número de mortes em acidentes de trânsito, atrás apenas da Índia e da China. Na última década, mais de 13 mil ciclistas morreram no país.
Só no estado de São Paulo, houve aumento de 75% nas mortes de ciclistas em fevereiro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2024, com 35 óbitos contra 20 no ano anterior.
“O desenvolvimento de propostas e parcerias que mitiguem a insegurança no trânsito é essencial. A transformação da mobilidade urbana envolve escuta, planejamento e, principalmente, execução”, afirmou, em comunicado, Thiago Boufelli, diretor de operações da Tembici.
A América Latina contabiliza mais de 45 mil bicicletas compartilhadas em serviço, distribuídas em cerca de 80 sistemas. Entre todos os países do continente, o Brasil é o país com a maior oferta e responde por 35% do total de bikes disponíveis.
Contudo, a infraestrutura ainda não acompanha esse crescimento. A proporção de vias com ciclovias ou ciclofaixas não ultrapassa 6% da malha viária urbana da América Latina, segundo o levantamento da Tembici.