
O projeto de uma pista de testes de homologação de veículos em Camaçari (BA), orçado em R$ 90 milhões, poderá receber recursos de montadoras de veículos e sistemistas instalados no Brasil para sair do papel.
O empreendimento, que tem à frente do seu planejamento o Senai Cimatec da Bahia, está sendo oferecido para um pool de empresas do setor automotivo que foram habilitadas no Programa Mobilidade Verde, o Mover.
A ideia é oferecer às empresas uma opção de espaço para testes de homologação completo em termos de equipamentos para validação, além de espaços reservados em uma espécie de paddock para abrigar equipes de engenharia envolvidas nessas atividades. Haverá também uma estrutura do Inmetro no local.
A grande demanda a ser atendida, disse em off uma fonte ligada ao projeto, está ligada às novas exigências do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) sobre emissões e eficiência energética.
Tais obrigações devem levar as montadoras e outras empresas do ecossistema automotivo a buscar espaços mais equipados para realizar testes em seus produtos, o que vai exigir investimento em pesquisa e desenvolvimento. Por ser algo que se enquadra no perfil de projeto estruturante, essas organizações poderão acessar recursos subsidiados pelo Mover para isso.
Montadoras e sistemistas terão cotas na pista de testes
A oferta da pista de testes de Camaçari envolve um sistema de cotas: quem contribuir com mais recursos terá mais horas de testes disponíveis no espaço. As horas que sobrarem, digamos assim, serão vendidas no mercado no esquema de pagamento pelo uso.
Segundo o interlocutor, o projeto foi apresentado a mais de 20 empresas da indústria automotiva que estão habilitadas no Mover. A reportagem de Automotive Business apurou que constam nesse grupo as montadoras Hyundai, Volkswagen, Ford, GWM e BYD, sistemistas como Bosch, Marelli e Valeo, além de Petrobras e Repsol. Nenhuma delas, no entanto, aportou dinheiro no projeto até agora.
O Senai Cimatec, por outro lado, investiu cerca de R$ 24 milhões na compra de um terreno de 2,6 milhões de metros quadrados, o equivalente a 365 campos de futebol padrão Fifa. O terreno é vizinho ao Senai Cimatec Park, complexo de inovação onde são mantidas estruturas de empresas como Ford e Shell, por exemplo.
No momento, o terreno passa por processo de terraplanagem. As licenças ambientais necessárias já teriam sido emitidas pelos órgãos competentes, liberando a atividade econômica.
A Applus Idiada, empresa da Espanha especializada em pistas de testes, foi contratada pelo Cimatec para fazer a gestão da obra e do espaço.
Pista de testes levará três anos para ficar pronta
A estimativa é de que o empreendimento levará 36 meses para ter a sua construção finalizada após o aporte dos recursos. Serão 22 meses de obras, dois meses de homologação e mais 12 de testes de operação.
Atualmente boa parte dos testes de homologação veicular realizados no país acontecem no Campo de Provas que a General Motors mantém em Indaiatuba (SP).
A Ford também realiza testes na sua pista de testes de Tatuí, também no interior paulista. A Randon é outra empresa dona de espaço de validações no Sul do país. Bosch e Mercedes compartilham uma pista em Iracemápolis (SP).
