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América Latina

Nissan mantém plano de produção local apesar do tarifaço de Trump

Montadora afirma que fábricas na América Latina têm como prioridade as demandas dos mercados locais
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Bruno de Oliveira

16 abr 2025

3 minutos de leitura

Na primeira quinzena de abril a Anfavea, a associação que representa as montadoras no país, alertou sobre os perigos da ociosidade das fábricas mexicanas, que no contexto do tarifaço de Trump, poderiam capturar parte da produção de veículos no Brasil. A Nissan, que mantém três fábricas no país latino, diz que talvez não seja bem assim.

“Boa parte do que produzimos no México é para abastecer o mercado local. Temos uma participação de 17% no país, sem contar que exportamos para outros mercados vizinhos”, disse Guy Rodríguez, presidente da montadora na América Latina.

Além disso, segundo o executivo, 92% das vendas locais são abastecidas por veículos produzidos na região.

América Latina responde por 1/4 da produção global da Nissan

Guy Rodríguez disse, ainda, que os veículos produzidos pelas fábricas da montadora instaladas na América Latina correspondem a 15% das suas vendas globais. O volume de produção nessa localidade, por sua vez, responde por 25% da sua produção global.

De forma que, pelo menos para a Nissan, tudo indica que o tarifaço de Trump não venha a mexer de forma drástica no desenho da sua produção global, com migração de modelos para linhas em outros países.

A respeito desse tema, o executivo, que esteve presente na terça-feira, 15, na fábrica de Resende (RJ), para anunciar a produção da nova geração do SUV Kicks, disse que o cronograma de produção da unidade mostra como os planos da Nissan para atender a região latina seguem por ora inalterados.

“O novo Kicks vamos exportar para a Argentina e o Paraguai. O segundo modelo de SUV que vamos produzir aqui será exportado para mais de 20 países na região”, disse Rodríguez na oportunidade, completando que poderá haver um aumento gradual de produção desses modelos na fábrica em caso de aumento da demanda.

Em outra palavras, a Nissan indica que existe um risco mínimo para que veículos produzidos por aqui possam ser enviados às modernas e competitivas linhas de produção mexicanas. O inverso também tem poucas chances de acontecer, como a produção no Brasil de veículos exclusivos para o mercado dos Estados Unidos, em manobra para driblar as tarifas.

“Nós produzimos para mercado locais, respeitando as diferenças de mercado. Não tem como produzir aqui uma picape para os Estados Unidos, por exemplo. São outros fornecedores, outros perfis de consumidores”, contou o presidente da montadora na América Latina.

A Nissan mantém três fábricas no México, duas em Aguascalientes e uma em Civac, a primeira da montadora construída fora do Japão, em 1966. Nessas unidades são produzidos os modelos Versa, Kicks e o Sentra. Em 2023, essas fábricas enviaram aos Estados Unidos cerca de 400 mil unidades — um volume importante.

“Temos capacidade ociosa no México e aqui também, isso [tarifas dos EUA] não quer dizer muita coisa pelo menos por enquanto”, completou Rodríguez.

Anfavea tem seu grito ouvido em Brasília

Também na metade inicial de abril, a Anfavea expôs pela primeira vez um fato até então novo, de que as montadoras temiam que a falta de regulamentação do Programa Mover, mais o tarifaço de Trump, pudessem alterar seus cronogramas locais de investimentos.

O argumento exerceu de certa forma pressão no Governo Federal, que dali a poucos dias acabou por assinar o decreto que regulamenta o regime automotivo. As portarias, que descrevem no detalhe as regras do programa, ainda precisam ser assinadas em Brasília (DF).

Ainda que seu pleito tenha sido atendido pelo Executivo do país, a associação que representa as montadoras mantém a posição de que o cenário atual no setor automotivo é de incertezas.

Não apenas essa questão mexicana incomoda, como também velhos entraves conhecidos, como juros altos e retomada do imposto de importação em sua alíquota máxima, de 35%.