
Em 2025 o Brasil viu um retorno polêmico e importante no calendário da indústria automotiva: o Salão do Automóvel. Outros auto shows pelo mundo não tiveram a mesma sorte, enquanto alguns tentam se reinventar. Enquanto isso, um salão de carros clássicos na França completou 50 anos em 2026 com recorde de público, novos pavilhões e iniciativas inéditas.
É o Retromobile, o maior salão de carros clássicos e colecionáveis do mundo e que mostra que ainda há esperança para os motorshows. E lições para o setor que viu os salões enfrentarem crises semelhantes aos do Salão de São Paulo.
Vale lembrar que, nos últimos anos, o tradicional Salão de Genebra acabou de vez, enquanto o gigantesco IAA saiu da fria e financeira Frankfurt para as ruas da turística Munique para tentar se reinventar frente a um público que não precisa mais de um evento como um salão do automóvel para interagir com carros e lançamentos. É aí onde o Retromobile dá aulas…
As lições do salão de carros clássicos

É claro que o apelo e alcance dos carros clássicos é bem diferente dos novos lançamentos das montadoras. De toda maneira, em 2026, o Retromobile reuniu em Paris mais de 180 mil visitantes em três dias.
Em comparação, o Salão de São Paulo reuniu mais de 500 mil pessoas em 2025 – o recorde histórico é de 742 mil pessoas em 2018. Só que o Retromobile está em ampla evolução.
O grande destaque da feira é a presença de lojas e revendedoras que levam de diversos pontos da Europa os seus estoques mais caros e prestigiosos.
No Retromobile, pode-se ver e comprar

Não faltam carros icônicos como Ferraris F40, F50, Enzo, 288 GTO, Porsches 911 de todas as gerações, Carrera GT, Bugatti Veyron e clássicos mais antigos, como Ferrari 250 GT – foram pelo menos 12 espalhadas pelos estandes -, Jaguar E-Type, Aston Martin DB5, Mercedes-Benz 300 SL, Bugattis pré-guerra, Talbot e muito muito muito mais.
E, diferentemente de um salão tradicional, a grande maioria dos carros expostos está à venda. Claro que os preços desses carros são proibitivos para 99% dos visitantes – uma F40 não sai por menos de € 2 milhões. Mas, teoricamente, qualquer um pode ir ao Retromobile e sair como um feliz proprietário de uma lenda sobre rodas.
Clássicos acessíveis até para meros mortais

Há também muito espaço para os carros clássicos “normais”. Em um pavilhão anexo, existe a “Zona dos carros até € 30 mil”, onde revendedoras de automóveis mais comuns aproveitam o ânimo de quem acabou de ver um Lamborghini Miura de € 3 milhões para tentar vender um Peugeot 106 Le Mans de € 11.900.
Diversos estandes também aproveitam a grande movimentação de entusiastas para vender peças e acessórios para todo tipo de carro em um grande mercado de reposição.
De olho no passado e no presente

As montadoras também aos poucos vêm percebendo como aproveitar a nostalgia dos visitantes do Retromobile e tratar um pouco sobre sua história e herança. Diversas marcas levaram modelos clássicos de seu passado para falar também sobre o presente da sua linha atual de carros.
A Renault levou todas as cinco gerações antigas do Clio em versões especiais – como o V6 de segunda geração e o Williams da primeira fase – e colocou em destaque a nova e sexta geração do compacto, o segundo carro mais vendido da Europa em 2025.
Japonesas também mostram sua história

A Peugeot levou um 208 GTI renovado e versões históricas do 205 GTI, enquanto a Volkswagen celebrou os 50 anos do Golf GTI com as oito gerações do esportivo. A Mercedes-Benz iniciou as celebrações do seu aniversário de 140 anos e a BMW reuniu os sete Art Cars que já participaram das 24h de Le Mans.
As japonesas também já entenderam o apelo do Retromobile, com a Honda mostrando o atual Prelude e suas gerações passadas e a Mazda com o espetacular 787B, que comemora 35 anos da sua vitória em Le Mans em 1991.
Supercarros atuais também têm vez

Mas há quem não queira falar muito de passado ou de carros comuns. E a organização do Retromobile entendeu que aí está um dos apelos dos tradicionais salões que continuam bastante relevantes com os visitantes: os supercarros atuais.
A edição 2026 do evento francês inaugurou um pavilhão anexo com o Ultimate Supercar Garage, espaço para montadoras e marcas de carros de altíssimo desempenho – e valor – exporem suas máquinas.
Estavam lá Lamborghini, Bentley, Aston Martin, Pagani, Ferrari, Lotus, entre outras, todas com suas linhas atuais. A Bugatti, inclusive, mostrou pela primeira vez o FKP Hommage, versão especial e de despedida do Veyron feita com a tecnologia dos carros mais modernos da marca.
Recorde no leilão

Em 2026 ainda teve espaço para o leilão de estreia da casa de leilões norte-americana Gooding Christie’s no Retromobile, que arrecadou mais de € 50 milhões em alguns dos clássicos mais lindos e impecáveis da feira: uma Ferrari 288 GTO de 1984, a mais cara do leilão, vendida por € 9,1 milhões.
E é exatamente no equilíbrio entre uma Lamborghini Temerario 0 km, meia dúzia de Bugattis pré-guerra, um Renault Twingo Le Coq Edition de € 20 mil e garimpar uma bomba de combustível para um Peugeot 405 que o Retromobile mostra a sua solução para se manter relevante: fazer o visitante ser tão protagonista quanto os carros lendários.

