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Um novo e antigo caminho no maior salão de carros clássicos do mundo

Retromobile é um ícone do antigomobilismo e mostra saída para o futuro e para a sobrevivência dos auto shows
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Rodrigo Machado

11 fev 2026

6 minutos de leitura

Retromobile 2026: salão de carros une clássicos caros e acessíveis, além de lançamentos – Foto: Alexis Perrin/divulgação

Em 2025 o Brasil viu um retorno polêmico e importante no calendário da indústria automotiva: o Salão do Automóvel. Outros auto shows pelo mundo não tiveram a mesma sorte, enquanto alguns tentam se reinventar. Enquanto isso, um salão de carros clássicos na França completou 50 anos em 2026 com recorde de público, novos pavilhões e iniciativas inéditas.

É o Retromobile, o maior salão de carros clássicos e colecionáveis do mundo e que mostra que ainda há esperança para os motorshows. E lições para o setor que viu os salões enfrentarem crises semelhantes aos do Salão de São Paulo.

Vale lembrar que, nos últimos anos, o tradicional Salão de Genebra acabou de vez, enquanto o gigantesco IAA saiu da fria e financeira Frankfurt para as ruas da turística Munique para tentar se reinventar frente a um público que não precisa mais de um evento como um salão do automóvel para interagir com carros e lançamentos. É aí onde o Retromobile dá aulas…

As lições do salão de carros clássicos

Enzo 288 GTO, uma das muitas Ferraris no Retromobile 2026 – Foto: Rodrigo Machado

É claro que o apelo e alcance dos carros clássicos é bem diferente dos novos lançamentos das montadoras. De toda maneira, em 2026, o Retromobile reuniu em Paris mais de 180 mil visitantes em três dias.

Em comparação, o Salão de São Paulo reuniu mais de 500 mil pessoas em 2025 – o recorde histórico é de 742 mil pessoas em 2018. Só que o Retromobile está em ampla evolução.

O grande destaque da feira é a presença de lojas e revendedoras que levam de diversos pontos da Europa os seus estoques mais caros e prestigiosos.

No Retromobile, pode-se ver e comprar

O Talbot-Lago T150-C-SS Teardrop Coupe de 1938 – Foto: Rodrigo Machado

Não faltam carros icônicos como Ferraris F40, F50, Enzo, 288 GTO, Porsches 911 de todas as gerações, Carrera GT, Bugatti Veyron e clássicos mais antigos, como Ferrari 250 GT – foram pelo menos 12 espalhadas pelos estandes -, Jaguar E-Type, Aston Martin DB5, Mercedes-Benz 300 SL, Bugattis pré-guerra, Talbot e muito muito muito mais.

E, diferentemente de um salão tradicional, a grande maioria dos carros expostos está à venda. Claro que os preços desses carros são proibitivos para 99% dos visitantes – uma F40 não sai por menos de € 2 milhões. Mas, teoricamente, qualquer um pode ir ao Retromobile e sair como um feliz proprietário de uma lenda sobre rodas.

Clássicos acessíveis até para meros mortais

Clássicos recentes e baratos também estão à venda na mostra – Foto: André Ferreira/divulgação

Há também muito espaço para os carros clássicos “normais”. Em um pavilhão anexo, existe a “Zona dos carros até € 30 mil”, onde revendedoras de automóveis mais comuns aproveitam o ânimo de quem acabou de ver um Lamborghini Miura de € 3 milhões para tentar vender um Peugeot 106 Le Mans de € 11.900.

Diversos estandes também aproveitam a grande movimentação de entusiastas para vender peças e acessórios para todo tipo de carro em um grande mercado de reposição.

De olho no passado e no presente

Estande da Renault teve Clio novo e antigo – Foto: André Ferreira/divulgação

As montadoras também aos poucos vêm percebendo como aproveitar a nostalgia dos visitantes do Retromobile e tratar um pouco sobre sua história e herança. Diversas marcas levaram modelos clássicos de seu passado para falar também sobre o presente da sua linha atual de carros.

A Renault levou todas as cinco gerações antigas do Clio em versões especiais – como o V6 de segunda geração e o Williams da primeira fase – e colocou em destaque a nova e sexta geração do compacto, o segundo carro mais vendido da Europa em 2025.

Japonesas também mostram sua história

Mazda 787B celebra 35 anos da vitória da marca japonesa em Le Mans – Foto: Rodrigo Machado

A Peugeot levou um 208 GTI renovado e versões históricas do 205 GTI, enquanto a Volkswagen celebrou os 50 anos do Golf GTI com as oito gerações do esportivo. A Mercedes-Benz iniciou as celebrações do seu aniversário de 140 anos e a BMW reuniu os sete Art Cars que já participaram das 24h de Le Mans.

As japonesas também já entenderam o apelo do Retromobile, com a Honda mostrando o atual Prelude e suas gerações passadas e a Mazda com o espetacular 787B, que comemora 35 anos da sua vitória em Le Mans em 1991.

Supercarros atuais também têm vez

Retromobile foi palco para apresentação do Bugatti FKP Hommage – Foto: Rodrigo Machado

Mas há quem não queira falar muito de passado ou de carros comuns. E a organização do Retromobile entendeu que aí está um dos apelos dos tradicionais salões que continuam bastante relevantes com os visitantes: os supercarros atuais.

A edição 2026 do evento francês inaugurou um pavilhão anexo com o Ultimate Supercar Garage, espaço para montadoras e marcas de carros de altíssimo desempenho – e valor – exporem suas máquinas.

Estavam lá Lamborghini, Bentley, Aston Martin, Pagani, Ferrari, Lotus, entre outras, todas com suas linhas atuais. A Bugatti, inclusive, mostrou pela primeira vez o FKP Hommage, versão especial e de despedida do Veyron feita com a tecnologia dos carros mais modernos da marca.

Recorde no leilão

Estande da Gooding Christie’s – Foto: Rodrigo Machado

Em 2026 ainda teve espaço para o leilão de estreia da casa de leilões norte-americana Gooding Christie’s no Retromobile, que arrecadou mais de € 50 milhões em alguns dos clássicos mais lindos e impecáveis da feira: uma Ferrari 288 GTO de 1984, a mais cara do leilão, vendida por € 9,1 milhões.

E é exatamente no equilíbrio entre uma Lamborghini Temerario 0 km, meia dúzia de Bugattis pré-guerra, um Renault Twingo Le Coq Edition de € 20 mil e garimpar uma bomba de combustível para um Peugeot 405 que o Retromobile mostra a sua solução para se manter relevante: fazer o visitante ser tão protagonista quanto os carros lendários.

Ferrari 250 GT em esposição no salão parisiense – Foto: Rodrigo Machado