
O Anuário 2024-2025 da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), mostra que a demanda de viagens por ônibus foi em abril de 2024 de 86% em relação ao mesmo mês do ano de 2019, ou seja, 14% menor que antes da pandemia.
Desde agosto de 2022, portanto há quase três anos, a demanda do setor oscila na faixa entre 80% e 86% do valor observado em fevereiro de 2020.
O estudo, lançado na primeira quinzena de agosto, analisou o transporte público de 10 cidades: Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA) e São Paulo (SP).
Apenas os sistemas de Brasília e da capital de Goiás recuperaram 100% da demanda de antes da pandemia de Covid-19.
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Por outro lado, há sistemas que ainda estão bastante distantes da média nacional, por exemplo, Belo Horizonte (intermunicipal metropolitano), Manaus (municipal) e Porto Alegre (intermunicipal metropolitano), que registraram, respectivamente, 66%, 67% e 60% da demanda anteriormente transportada.
O estudo observa que, pelo segundo ano consecutivo, houve redução do índice de passageiros equivalentes transportados (viagens realizadas) por quilômetro, com queda de 4,9% em relação a 2023.
Essa queda no número de viagens implica em uma redução de arrecadação para as empresas concessionárias.
“Os resultados revelam que apenas a receita oriunda dos passageiros pagantes é insuficiente para sustentar um modelo de financiamento baseado, exclusivamente, na cobrança da tarifa pública”, diz o relatório da NTU.
“A manutenção dessa alternativa, que foi vigente até poucos anos atrás na maior parte das cidades, pressiona o poder público, ano após ano, por aumentos da tarifa pública e penalização dos usuários, além de limitar a oferta e a qualidade do serviço”, completa o texto.
Evolução da tarifa zero
De 2023 para 2024, o preço médio da tarifa subiu 3,1%, o que é considerado estável. Mas esse dado é reflexo de um contexto maior: o aumento no número de municípios que agora subsidiam seu transporte público. Segundo o estudo, são 395 cidades no total, sendo que 154 delas adotaram a tarifa zero.
Conforme reportagem do Automotive Business, a tarifa zero contribui para reduzir a poluição, aumentar a qualidade de vida população e estimular a economia, além de custar pouco para os cofres públicos.
Segundo o estudo, até 2020, apenas 41 cidades tinham tarifa zero (40 delas com abrangência universal). Já em maio de 2025 há 154 cidades com isenção da tarifa pública para os usuários, das quais 127 delas de forma universal, portanto, durante todos os dias da semana, em todo o sistema de transporte, contemplando todas as linhas, tipos de serviços e bairros das cidades.
As cidades que adotaram a tarifa zero têm alguns pontos em comum: 62% são pequenas, com até 50 mil habitantes; quantidade de linhas e frota disponível reduzidas; ausência de relação direta entre população total e número de ônibus ofertados; corpo técnico insuficiente nos órgãos responsáveis e, por fim, não há levantamento de dados para a mensuração do impacto na mobilidade urbana.
Ou seja: cidades menores, com sistema de transporte menos complexo, têm mais facilidade para adotar a tarifa zero.
O crescimento da quantidade de cidades que subsidiam o transporte público é resultado de dois fatores: o primeiro deles é a falência do modelo de remuneração, amplamente utilizado até o ano de 2019, que tinha a receita das tarifas como a única fonte de recursos para o custeio do serviço. Esse modelo já se encontrava em crise antes mesmo da pandemia.
O segundo fator foi a própria pandemia, que, como vimos, diminuiu a quantidade de passageiros transportados em até 80% no momento mais crítico do isolamento social. Até o momento, essa queda não foi completamente revertida.
Segundo o estudo, 15% do total de cidades brasileiras que têm sistemas organizados de transporte coletivo por ônibus (2.703) usam recursos públicos para custear parcialmente o serviço. E 47% da população brasileira reside em cidades onde os ônibus do transporte público são subsidiados.
Outros pontos importantes do estudo:
- Há quatro anos não ocorre alteração significativa na quantidade de veículos da frota do transporte público coletivo nos nove sistemas analisados. Ou seja: a quantidade de ônibus ofertada não caiu nem cresceu.
- A renovação regular da frota manteve a idade média dos veículos registrada no ano anterior. Em geral, os mais de 30 mil ônibus das nove cidades têm idade média de 6 anos e 5 meses.
- O custo por quilômetro do setor encontra-se estável há dois anos. Em 2024, teve queda de 1% em relação ao ano anterior.
- O combustível e a mão de obra representam, juntos, cerca de 75% do custo total do setor.
- As cidades brasileiras têm dificuldades para diversificar as fontes de receitas para reduzir a dependência das tarifas públicas para o financiamento da prestação do serviço. Atualmente, a origem dos recursos para subsidiar o transporte coletivo é, predominantemente, o orçamento público dos municípios e dos estados.
- O espaço que o transporte coletivo ocupa nos orçamentos públicos é muito pequeno em comparação a outros serviços essenciais. Essa situação, somada à ausência de outras fontes de recursos extratarifários para o custeio do serviço, limita a viabilização de um transporte público com mais qualidade para a população.