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Renault Boreal se destaca por dirigibilidade e conforto

Andamos no SUV médio da marca francesa, que tem bom custo benefício para tentar peitar Corolla Cross e Compass
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Fernando Miragaya

06 nov 2025

6 minutos de leitura

Renault Boreal tem design sofisticado para encarar segmento de SUVs médios – Foto: Alê Moreira/Divulgação

O Boreal é uma espécie de segundo degrau da Renault na missão de mudar sua imagem no mercado brasileiro. No primeiro contato com o novo SUV médio, contudo, podemos dizer que a marca francesa subiu bem mais que um degrau.

E olha que o primeiro movimento para valer foi com o compacto Kardian, apresentado em 2024, que se destacou em vários quesitos. Mas a dirigibilidade, acabamento, conforto e design do Renault Boreal fazem do modelo um concorrente forte para o segmento.

Automotive Business dirigiu o crossover feito em São José dos Pinhais (PR) por cerca de 300 km no lançamento oficial do SUV que quer tentar um lugar ao sol em uma categoria hoje dominada por Toyota Corolla Cross e Jeep Compass, e com forte presença das chinesas GWM Haval H6 e BYD Song Pro.

Como é o Renault Boreal

Cabine é espaçosa e confortável

Perante esses rivais, de cara o Boreal se destaca pelo design mais refinado, com muitas saliências e vincos pelos seus 4,55 metros de comprimento. Dentro, essa percepção de sofisticação é reforçada.

A cabine tem materiais emborrachados no painel frontal e das portas. Há muitos detalhes com grafismos de bom gosto, aço escovado, preto brilhante e couro com costuras aparentes.

Os bancos são confortáveis e o motorista se acomoda bem. A posição de dirigir lembra a do Kardian (os dois compartilham a plataforma modular RGMP), só que naturalmente há mais espaço para joelhos e pernas.

Partimos de Guarulhos (SP) e caminho de Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, também no estado de São Paulo, a bordo da versão topo de linha Iconic do SUV da Renault, pintada na cor de lançamento azul Mercure.

Dirigibilidade e dinâmica são pontos fortes

SUV da marca francesa tem mais de 4,50 metros de comprimento – Foto: Alê Moreira/Divulgação

A primeira coisa que chama a atenção no carro é justamente o equilíbrio e a boa construção. Apesar de largo (1,84 metro) e alto (são 21,3 cm de vão livre do solo), o Renault Boreal tem uma dinâmica muito bem resolvida.

Nas retas a direção obedece bem e é precisa, mesmo a 120 km/h permitidos na Rodovia Carvalho Pinto. Alcançar essa velocidade é relativamente tranquilo com o motor 1.3 turbo de 163 cv com etanol e 155 cv, com gasolina.

O motor não tem respostas brutas, mas a caixa EDC de dupla embreagem e seis marchas faz as mudanças de forma bastante ágil e confortável, sem trancos. Segundo a Renault, o Boreal precisa de menos de 10 segundos para fazer o 0 a 100 km/h.

As retomadas 80-120 km/h, ainda de acordo com a fabricante francesa, levam interessantes 6,2 segundos. Realmente você pisa em baixos giros e o carro responde bem, mas, como dito, de forma bastante confortável e sem brutalidades.

Mesmo na opção de condução Sport, com o motor trabalhando em giros mais altos e a direção convenientemente mais pesada, o Renault Boreal ainda se mantém dócil no rodar. E isso pode ser importante em um segmento que tem como líder o Corolla Cross, que carrega os consumidores tradicionais da Toyota.

Consumo entre os melhores da categoria

Boreal é feito no Paraná sobre a plataforma modular do Renault Group – Foto: Alê Moreira/Divulgação

Em altas velocidades, porém as respostas do SUV tendem a ser mais vagarosas. Além disso, sente um pouco dos mais de 1.400 kg e do porte robusto. Mesmo assim, o Renault Boreal tem boas médias de consumo pelos padrões do Inmetro dentro da categoria,

Com etanol, o crossover promete médias 7,8 km/l na cidade e de 9,4 km/l, na estrada. Com gasolina, 11,2 km/l no ciclo urbano e 13,6 km/l, no rodoviário.

No trecho de serra a caminho de Campos do Jordão, a dinâmica continua assertiva. O carro aponta bem e a carroceria torce pouco para um modelo com tais dimensões.

A suspensão corrobora esse comportamento. Com barras estabilizadoras na frente e atrás, a calibragem do eixo de torção na traseira dá conta do recado. Solução de menor custo que um jogo multibraço, e que ainda garantiu bom espaço no porta-malas.

Pois é, com 522 litros para bagagens, o Renault Boreal tem um dos melhores porta-malas da categoria. No trecho de volta viemos com o carro carregado: uma mala grande, duas médias, uma bolsa pequena e duas mochilas couberam numa boa.

Telas sem exageros no Renault Boreal

Multimídia tem apps do Google integrados e instrumentos da versão Iconic replicam o Maps

Ainda ao volante, a interação do motorista com a cabine e os instrumentos é fácil. O Renault Boreal oferece painel eletrônico com tela de 7”, mas nesta versão topo de linha o display é de 10” e configurável.

Ele reproduz as imagens do Maps, que também estão na central multimídia OpenR Link com monitor 10”, de fácil operação. Ela traz o Google Automotive Services, com vários apps nativos, integração com o Google Assistance e Google Home e conexão sem fio.

Na volta, a oportunidade de viajar no banco traseiro. Assim como percebido na apresentação estática durante a apresentação global do SUV, em julho, os passageiros são blindados com bom vão para pernas, joelhos e pés. Há ainda saídas de ar e duas tomadas USB-C.

A lista de equipamentos generosa, por sinal, é outro aliado do Renault Boreal, que chega em três versões e com preços entre R$ 179.990 e R$ 214.990. Tem ainda garantia de cinco anos, plano de manutenção de R$ 5.786 nas seis primeiras revisões e parceria com blindadora.

Será o suficiente para a Renault vender Boreal como pão quente? Não é tão fácil. Há muitos competidores nessa faixa de preço e o trabalho da marca francesa de mostrar que sabe fazer carro com valor agregado está só no início.

Mas, sem dúvida, o Boreal se apresenta como um concorrente forte e à altura para este mercado de SUVs médios que, além de agregar margens mais gordinhas para a montadora, cresceu incríveis 87% em dois anos.

SUV usa motor 1.3 turbo e câmbio de dupla embreagem