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Vendas de elétricos caem em toda a Europa, menos na Bélgica. O segredo? Carros de graça

Desconto de 100% para VEs adquiridos por empresas mudou o jogo no país europeu
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Victor Bianchin

10 mar 2025

3 minutos de leitura

Imagem: Thomas Konings (Unsplash)

A Europa atualmente passa por uma desaceleração no volume de vendas de veículos elétricos (VEs). Foram mais de 1,44 milhão no continente em 2024, queda de 5,9% em relação à soma de 1,53 milhão em 2023. Mas na Bélgica isso é diferente por casusa dos… carros de graça.

Por exemplo, na Alemanha, o maior mercado de elétricos do bloco, a queda foi de 27,9%. O motivo para a forte retração naquele país foi o encerramento, em dezembro de 2023, de subsídios aos consumidores como incentivo à compra de VEs.

Na Bélgica, entretanto, a situação é diferente. O país registrou aumento de 36,9% nas vendas em 2024 em comparação ao ano anterior, com mais de 127 mil carros elétricos vendidos.

Com carros de graça, Bélgica teve alta superior à média europeia

Com isso, o país atingiu 28,5% na quantidade de elétricos em relação ao total de automóveis vendidos. Muito acima da média da Europa como um todo, onde esse crescimento ficou em 13,6% em 2024.

E não é só: em janeiro de 2025, a Bélgica já registra aumento de 33,8% na venda de elétricos em relação a janeiro de 2024. Não há dúvidas: os elétricos na Bélgica são um fenômeno sem paralelos. Mas como eles conseguiram?

A resposta é simples: vendendo veículos com descontos para empresas. No país, existe um programa, iniciado em 2023, que permite que as empresas que adquirem VEs abatam até 100% do valor do veículo de seus impostos. Ou seja: na Bélgica o carro pode sair praticamente de graça. 

A estratégia deu tão certo que, hoje, 80% dos VEs vendidos estão no nome de empresas. Para as companhias, o benefício virou uma forma de recompensar os funcionários, já que elas podem dar os carros a eles em vez de aumentar os salários.

Com isso, hoje, a Bélgica é o terceiro maior mercado de VEs da Europa. Como consequência, o número de pontos de recarga também aumentou: 27% estações a mais em 2024.

“É uma das políticas climáticas mais bem-sucedidas que os belgas já implementaram”, afirmou à Bloomberg Stef Cornelis, diretor de frotas elétricas do grupo de lobby Transport and Environment, ou T&E.

Política se provou mais eficiente que subsídios

A medida se provou mais eficiente do que os subsídios diretos a consumidores: até novembro de 2024, a Bélgica tinha, em algumas regiões, uma política que dava € 5 mil de desconto a quem comprasse VEs. Essa medida acabou sendo suspensa porque era muito custosa aos cofres públicos.

Essa tática não será eterna: o carro de graça na Bélgica só valerá até compras feitas em dezembro de 2026. Depois disso, o máximo de desconto será reduzido gradativamente ano a ano: 95% em 2027, 90% em 2028, 83% em 2029, 75% em 2030 e 68%, em 2031.

Além disso, o setor enfrenta outros desafios como quedas nas vendas, falta de infraestrutura de recarga e perda de valor dos veículos no mercado de usados.

Uma única política pública bem sucedida na Europa não será suficiente para fazer o setor crescer como desejado. Ainda assim, serve de exemplo para o Brasil, que está atrasadíssimo em relação a políticas públicas para o setor de elétricos: por aqui, só há redução no IPI e desconto no IPVA em alguns estados.