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Voluntários da Audi e Litro de Luz levam iluminação solar ao Pantanal

Colaboradores da montadora vivem experiência de voluntariado corporativo imersivo, ajudando comunidades indígenas e ribeirinhas

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Natália Scarabotto

02 jul 2026

6 minutos de leitura

Voluntários da Audi e da ONG Litro de Luz instalam poste de energia solar em comunidade ribeirinha no Pantanal
Voluntários da Audi e da ONG Litro de Luz instalam poste de energia solar em comunidade indígena guató no Pantanal

Por alguns dias, os colaboradores da Audi deixaram de lado suas respectivas funções do dia a dia automotivo para viver um trabalho diferente: o trabalho voluntário. Em junho, a ONG Litro de Luz, a Audi do Brasil e a Audi Environmental Foundation levaram iluminação solar para comunidades do Pantanal (MS).

O projeto beneficiou cerca de 585 pessoas, de oito comunidades indígenas guató e ribeirinhas, com 20 postes e 158 lampiões de energia solar.

As soluções do Litro de Luz são feitas com materiais sustentáveis, como cano de PVC e garrafa PET, além de luz de LED, bateria e um sistema simples que faz tudo funcionar.

O voluntariado corporativo é um dos pilares do Litro de Luz. Por isso, ao longo de quatro dias, os funcionários da Audi vivenciaram uma experiência imersiva nas comunidades para montar e instalar os postes e lampiões junto com os moradores que vivem ao longo dos rios Paraguai e Paraguai-Mirim, locais isolados que ficam até seis horas de barco de Corumbá (MS), a cidade mais próxima.

A experiência de ser voluntária

Analista de frota da Audi, Juliana Gaeta vive sua primeira experiência como voluntária, no Pantanal

Essa foi a primeira experiência como voluntária da analista de frota da Audi, Juliana Soaraya Gaeta.

“Me inscrevi para esse voluntariado corporativo porque já tinha ouvido falar sobre o Litro e me tocou a missão de levar luz para as pessoas”, contou ela.

A paisagem, as pessoas e o impacto do trabalho voluntário a surpreenderam logo de cara.

“Quando cheguei aqui não sabia o que ia encontrar, e encontrei pessoas com histórias emocionantes. Também fiquei muito encantada com as crianças e o carinho que elas têm… Ver de perto como a nossa presença, como esse projeto faz diferença pra eles é bem impactante.”

Ouvir histórias de moradores e vivenciar noites com energia restrita trouxe percepções sobre desafios que passam despercebidos para quem vive nos centros urbanos.

“Para a gente na cidade que sempre tem a luz fácil, é uma coisa, mas não imaginava que nesses lugares isolados isso impactava tanto.”

No dia a dia da cidade, a eletricidade funciona 24 horas: carro elétrico, geladeira, TV, Alexa, notebook, lava louças e tantos outros aparelhos. Mas para quem está a quilômetros de distância, a energia é muito restrita.

Por isso, as soluções do Litro de Luz chegam para ser mais um apoio à rotina, à segurança e à qualidade de vida das comunidades pantaneiras.

Há cerca de cinco anos, as comunidades receberam placas solares do programa Ilumina Pantanal, do Governo Federal, mas não são suficientes para a demanda local.

Com isso, toda a energia das comunidades é desligada por volta das 22h, impedindo qualquer atividade noturna, principalmente cozinhar e jantar, estudar ou até mesmo se locomover pela comunidade à noite, pelo risco de cobras ou até onças – um direito básico de mobilidade que não existe para eles.

Audi e Litro de Luz: cinco anos de parceria e transformação social

Este é o quinto ano consecutivo de parceria entre a Audi, a Audi Environmental Foundation e o Litro de Luz. Outras ações aconteceram também na Amazônia, nas terras indígenas do Xingu e na Ilha do Marajó.

O coordenador de relações públicas e eventos, Rafael Fiuza, esteve presente desde a primeira vez. “Faço vários eventos de lançamento de carros, mas nenhum me deixa tão realizado quanto o Litro”, disse.

“Consigo me ver como um dos moradores que participa das ações, porque eu nasci em comunidade, estudei em escola pública. Vivi um cenário próximo. Então, toda vez que a gente volta de uma ação, eu volto renovado”, completou.

Para ele, cada ano traz uma experiência diferente, mas igualmente transformadora. Por isso, faz questão de sempre voltar e incentivar os demais funcionários.

“O mais importante é o fator social, pelo engajamento dos nossos voluntários da Audi, isso mostra o quanto o projeto é relevante e transforma o colaborador. Traz um outro jeito de enxergar o mundo, as pessoas e a si mesmo”, disse Fiuza.

Em seu quinto ano seguido, Rafael Fiuza diz que sempre volta transformado com o voluntariado corporativo

Como o voluntariado corporativo fortalece pessoas e empresas

Além de beneficiar as comunidades, um dos pilares do Litro de Luz é justamente o voluntariado corporativo nas empresas parceiras. Antes de cada ação, é realizada uma oficina dentro da companhia para os funcionários aprenderem a montar as soluções e conhecerem previamente a comunidade beneficiada.

Mas quando eles vão para a ação em campo é quando a verdadeira experiência acontece.

“O voluntariado corporativo é o carro-chefe do Litro de Luz e isso é muito significativo porque conseguimos tirar essas pessoas das bolhas de trabalho delas para conhecerem o Brasil de verdade, quebrar preconceitos”, explicou o presidente do Litro de Luz, Rodrigo Eidy.

“Quando a gente abre os olhos de quem toma as decisões, lideranças e diretores, para diferentes realidades, isso gera um impacto social muito forte”, completou. “Recebemos muitos feedbacks de melhoria na cultura e clima organizacional, no senso de orgulho e pertencimento nas empresas que investem em projetos sociais como o nosso.”

Voluntária da Audi Karine Fernandes entrega lampião de energia solar para uma das professoras das comunidades

Isso se relaciona exatamente com os princípios da Audi, afirma a head de pessoas e cultura, Karine Fernandes.

“A Audi tem um papel social que vai além do produto que a gente vende. Temos um papel transformador, de olhar o entorno e o impacto que causamos. A gente sempre divulga os projetos que apoiamos e incentivamos os colaboradores a serem voluntários, porque é enriquecedor.”

Como profissional ligada a pessoas, para Karine a coletividade foi o aspecto mais marcante das comunidades pantaneiras.

“Estou encantada com a diversidade e a união, o espírito coletivo das pessoas e como o resultado só acontece por causa das pessoas. Tem uma analogia grande com o mundo corporativo. A gente realmente vê um trabalho que impacta a vida das pessoas, traz mais dignidade e transforma vidas.”

*Natália Scarabotto é repórter de Diversidade e ESG da Automotive Business e atua como voluntária do Litro de Luz desde 2023