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Nova Zelândia tenta implementar bilhete único nacional

Desafio é gigantesco para um país que tem quase a mesma área do Rio Grande do Sul
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Victor Bianchin

10 mar 2025

3 minutos de leitura

O governo da Nova Zelândia adiou o lançamento da plataforma Motu Move para o meio do ano. O sistema, que vem sendo elaborado há 15 anos e já custou US$ 1,3 bilhão aos cofres públicos, pretende unificar toda a bilhetagem de ônibus e trens no país, efetivamente criando um “bilhete único nacional”.

Na Nova Zelândia, que tem aproximadamente o tamanho do estado do Rio Grande do Sul, há diversos tipos de bilhete para pagar o transporte, como o AT HOP, o Snapper Card e o Bee Card. A questão é que cada um deles só funciona em algumas regiões, o que dificulta a unificação do sistema. 

O Motu Move pretende substituir todos esses modelos. Além de ser um bilhete único nacional com validade em todo o país, também trará outras mudanças, como a possibilidade de pagar pelas viagens com cartão de crédito ou de débito. 

Bilhete único nacional já tem projeto piloto

Em dezembro de 2024, um projeto piloto do Motu Move foi iniciado na cidade de Christchurch, mas apenas em uma linha de ônibus e ainda sem a distribuição do novo bilhete único nacional – o teste foi só para ver se os pagamento com crédito e débito funcionavam bem.

Em três meses, mais de 10 mil viagens com esses pagamentos foram realizadas, o que foi considerado um sucesso pelo governo local.

Unificar todos os sistemas do país, considerando seu tamanho, pode parecer uma tarefa simples, mas não é. O projeto envolve a colaboração entre a Agência de Transportes da Nova Zelândia (NZTA) e 13 autoridades regionais de transporte público, além de infraestruturas e tecnologias distintas em cada região.

Podemos copiar no Brasil?

No Brasil, já temos algumas opções de bilhetes válidos para várias regiões. Em São Paulo, o Bilhete Único permite integração entre ônibus, metrô e trens da CPTM, com descontos para quem faz a baldeação de um sistema para o outro.

No Rio, o Riocard faz a integração entre ônibus, metrô, VLT, barcas e trens da SuperVia. E há outros exemplos como o Ótimo (Belo Horizonte), o SalvadorCard (Salvador) e o VEM (Recife).

No entanto, quando se fala de unificação, o melhor que temos são os bilhetes que cobrem as regiões metropolitanas das capitais, como o BOM (São Paulo), o VEM (Pernambuco) e o Bilhete Único Metropolitano (Ceará). Não há um bilhete único que valha para um estado inteiro, que dirá nacional.

É por isso que o desafio da Nova Zelândia é tão grande. Quando falamos em unificar a tarifação em todo seu território, estamos falando de unificar catracas, totens, máquinas de venda, treinamento de funcionários, centenas de sistemas computacionais diferentes… o bilhete de plástico é apenas um aspecto da questão.

Se eles conseguirem, porém, será um êxito digno de ser copiado: quem sabe não conseguimos implementar uma solução semelhante no próprio Rio Grande do Sul ou em São Paulo?