
A BYD figurou na chamada “lista suja” do Ministério do Trabalho, um documento que reúne as empresas e empregadores que se envolveram em casos de escravidão ou condições análogas à escravid]ao no país entre 2020 e 2025. Há na lista ao todo 169 nomes além da montadora.
No caso da fabricante, houve registro de casos de trabalho análogo à escravidão envolvendo trabalhadores chineses na fábrica de Camaçari (BA), em 2024. Os operários eram submetidos a jornadas de trabalho exaustivas, vigilância armada e viviam em alojamentos em condições desumanas de higiene e alimentação.
Com a atualização, a lista suja do trabalho escravo inclui 67 empresas (pessoas jurídicas) e 102 pessoas físicas (patrões). O documento é divulgado semestralmente, em abril e outubro, com base nas operações de fiscalização do governo contra o trabalho escravo.
Procurada pela reportagem de Automotive Business, a BYD disse que não vai se pronunciar sobre o caso. Em janeiro, a montadora e as duas empresas chinesas terceirizadas envolvidas no caso fecharam um acordo de R$ 40 milhões com o Ministério Público do Trabalho (MPT).
Entenda o caso de trabalho escravo na BYD
Em uma operação de fiscalização em dezembro de 2024, o MPT resgatou 220 trabalhadores chineses em condições de trabalho análogas à escravidão e trazidos ao Brasil de maneira irregular para trabalhar na fábrica da BYD em Camaçari.
Os trabalhadores eram contratados pela empreiteira chinesa Jinjang Construction Brazil Ltda e pela empresa Tonghe Equipamentos Inteligentes do Brasil. Eles foram trazidos ao Brasil de forma irregular e submetidos a jornadas de trabalho exaustivas, além de viver em alojamentos sem condições mínimas de conforto e higiene, sob vigilância armada.
Após o escândalo, a BYD encerrou o contrato com as duas empresas e contratou uma empreiteira brasileira, além disso criou um comitê para se adaptar às normas trabalhistas brasileiras e também adotou medidas de fiscalização mais rígidas.
Trabalhadores chineses tinham jornadas exaustivas
Segundo a operação do MPT, os trabalhadores resgatados viviam em cinco alojamentos totalmente precários e com presença de vigilância armada. Algumas pessoas dormiam em camas sem colchões e um único sanitário era compartilhado por 31 pessoas.
As condições de alimentação também eram igualmente precárias. No refeitório foram encontrados materiais de construção civil próximo aos alimentos, panelas abertas no chão, com comidas expostas a contaminação e a falta de refrigeração para armazenar os alimentos.
Além da estrutura de trabalho e moradia desumanos, foram encontradas condições contratuais abusivas e que caracterizavam o trabalho forçado, como a retenção de 70% do salário dos operários e a obrigatoriedade de pagarem caução.
A multa contratual também era exorbitante e o trabalhador que largasse o emprego antes de seis meses, deixaria o país sem receber nada pelo seu trabalho.