
Dizem que escolher bem os inimigos é estratégico. Com o CS75, a Caoa Changan escolhe bem seus rivais, só que ousa ao aumentar bastante seu leque de adversários.
É que o SUV médio chinês montado pela Caoa em sistema CKD em Anápolis (GO) não briga apenas com rivais previsíveis. Na lógica da marca sino-brasileira, o crossover belisca também marcas premium.
Caoa Changan CS75 briga com quem?

Utopia ou excesso de autoestima? Pode ser. Porém, vamos tentar entender essa visão estratégica da Caoa Changan com seu CS75.
No tamanho, o SUV tem 4,77 metros de comprimento e 2,80 m de entre-eixos. Porte similar ao de um Jeep Commander – mas no caso do chinês são só cinco lugares mesmo.
No agressivo preço de lançamento, os rivais passam a ser versões de médios de fato, como Jeep Compass, Toyota Corolla Cross, Renault Boreal, Geely EX5 EM-i, BYD Song Pro e GWM Haval H6. Isso porque a Caoa Changan lançou o CS75 por competitivos R$ 199.990.
Mas onde raios o SUV se enquadra para brigar com modelos como Audi Q5, Mercedes-Benz GLB e GLC e Volvo XC60? Sim, a Caoa Changan apontou estes e outros modelos das chamadas marcas premium na apresentação do CS75.
Talvez no que diga respeito a acabamento – com couro, camurça e partes metalizadas de bom gosto – e equipamentos. O SUV será vendido no Brasil em versão única com uma lista e trato bem interessantes.
No pacote ADAS, chamado de Vision System, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente ativo de permanência em faixa, câmera 540 com função chassi transparente, entre outros. Curiosamente, deve um alerta de ponto cego.
Trio de telas

Os bancos elétricos dianteiros têm ajustes elétricos, oito modos de massagem, além de ventilação e aquecimento. O do passageiro ainda reclina mais, com cinto fixado no ombro direito do encosto e apoio para as pernas.
O carona ainda tem uma telinha para chamar de sua. Isso aí, o painel do CS75 traz três telas integradas que totalizam 37,2”. O quadro de instrumentos usa display de 10,3”, enquanto a multimídia com 14,6” permite conexão sem fio com smartphones. Ah, e já avisando que varias funções como ar-condicionado e regulagem dos espelhos, só pelo sistema.
Voltamos lá para o carona com a tela de 12,3” que permite acessar Spotify nativo, jogos e vídeos. Estranhamente o display não fica ofuscado totalmente para o motorista, como deveria ser e acontece em outros carros.
O Caoa Changan CS75 tem mais itens para quem se acha capaz de brigar com rivais alemãs. Como o som assinado pela Pioneer com 14 alto-falantes e subwoofer, o teto panorâmico com mais de 1 m2 de area envidraçada e o carregador de celular por indução com base de camurça e resfriamento.
Tudo em um ambiente aconchegante na cabine. Os bancos zero gravity oferecem ótima densidade e o motorista tem posição agradável de dirigir. Só o volante meio que destoa no design e poderia ter uma pegada melhor.
No banco traseiro sobra espaço suficiente para três ocupantes adultos de estatura mediana. O encosto ali reclina em até 32 graus e os assentos também recebem ventilação e aquecimento.
Conforto no rodar

Sim, o CS75 é um SUV com proposta familiar como a Caoa Changan gosta de frisar. Isso é reforçado ainda pelo porta-malas capaz de receber até 725 litros de volume (até a linha das janelas) e com tampa com abertura elétrica.
O rodar do CS75 também é “família”. Sem qualquer eletrificação, o motor Blue Core turbo flex – desenvolvido em parceria pelas engenharias brasileira, chinesa e europeia da empresa – entrega em 180 cv de potência.
Com ele, o SUV quadradão e de estimada 1,5 tonelada até desenvolve bem. As acelerações são graduais e contribui para isso a calibragem do câmbio automático de oito marchas da Aisin, que faz as mudanças de forma suave.
Nas retomadas, há um pequeno turbo lag. Depois o torque de 29,2 kgfm se apresenta de forma suave, sem aquela recuperação mais brusca típica dos motores turbinados. Nestes momento, o isolamento acústico falha um pouco na cabine.
Nas poucas curvas do test drive de pouco mais de 80 km entre Ibiúna e Barueri, no estado de São Paulo, a rigidez da carroceria se mostrou superior à vista em SUVs rivais chineses de porte parecido. A direção aponta bem e a suspensão demonstrou equilíbrio satisfatório.
Versão híbrida pode ser feita em Goiás

O CS75 é o terceiro modelo da Changan vendido no país e o segundo feito na planta goiana da Caoa. O modelo faz parte do pacote de investimentos de R$ 5 bilhões revelado pela empresa em março de 2026.
A linha de montagem goiana também faz em sistema CKD outro SUV, o Uni-T, lançado recentemente – a mesma fábrica produz ainda os Chery Tiggo 5x, Tiggo 7 e Tiggo 8 em outra área.
No caso da Changan, as peças vêm em kits da China, contudo, segundo a Caoa, são feitos processos de solda a laser em Anápolis para o CS75. A pintura também é feita lá. Só que o novo crossover só tem três opções de cores pouco originais: preto, cinza e branco.
Lá fora, o CS75 tem uma versão híbrida plena (HEV). Segundo executivos da Caoa, a montagem local do SUV eletrificado está no radar.
A capacidade de produção em CKD dos dois SUVs da Caoa Changan em Goiás atualmente é de 40 mil unidades/ano.

