
A ministra Simone Tebet, do Planejamento e Orçamento, que em breve visitará a China como parte da comitiva do presidente Lula, confirmou o interesse do país asiático em auxiliar financeiramente na construção de ferrovias no Brasil.
Embora essa intenção já fosse conhecida, a informação da ministra confirma que as conversas avançaram.
“Já estamos tratando disso com a China desde o primeiro mês do governo Lula”, afirmou Tebet na semana passada à revista “Carta Capital”.
“Na primeira reunião com o presidente Xi Jinping, percebi que eles estão muito interessados na questão das ferrovias. Eles querem rasgar o Brasil com ferrovias. Não existe dinheiro público suficiente para fazer isso, é muito caro”, declarou ela.
Ferrovias vão integrar países da América do Sul
Na viagem para a China, Tebet pretende discutir as rotas que estão em planejamento no Brasil e acertar os termos sobre a construção dessas ferrovias.
Além de atravessar o Brasil, os corredores ferroviários irão também transpassar outros países da América do Sul, conectando vários pontos do continente aos portos tanto do lado Atlântico como do lado Pacífico.
O interesse da China no negócio é a facilitação no envio de mercadorias, já que o Brasil e outros países do continente têm se firmado como grandes parceiros comerciais nos últimos anos.
As ferrovias deverão ter trilhos para trens com bitola larga, com 1.600 mm entre as rodas direitas e esquerdas. No entanto, é possível que, com a formalização dos acordos, trilhos para trens de passageiros também sejam incluídos no projeto.
“O Brasil exporta 350 bilhões de dólares todos os anos e mais de um terço desse valor se destina à China. Do que nós exportamos para os chineses, 60% é minério de ferro e soja, que precisam ser escoados por meio de ferrovias. É muito mais eficiente, não só do ponto de vista econômico, mas também do ponto de vista ambiental”, afirmou em abril Leonardo Ribeiro, secretário Nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, quando uma delegação chinesa visitou as obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) no Brasil.
As novas ferrovias brasileiras
São várias as ferrovias em planejamento pelo governo federal, sendo que a principal é a Ferrovia Bioceânica Brasil-Peru, que já tem 30% do seu trajeto de 4.400 km construído e deverá ficar pronta até 2028.
O trajeto começa em Ilhéus, na Bahia, passa por Caetité (BA) e atravessa os estados de Goiás (ou Tocantins), Mato Grosso, Rondônia e Acre até chegar em Chancay, no Peru, a 80 km de Lima.
Esse corredor estará conectado à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), que ligará o futuro porto de Ilhéus (BA) a Figueirópolis (TO), e também à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO), que irá de Mara Rosa (GO) a Lucas do Rio Verde (MT), e ainda à Ferrovia Norte Sul (FNS), que irá de Açailândia (MA) a Anápolis (GO). Todas essas três ferrovias estão em diferentes fases de execução pelo governo federal
Em Chancay, a China (por meio da estatal Cosco Shipping) construiu um megaporto com 15 cais e 141 hectares de área, inaugurado em abril – foi um esforço para criar uma rota entre o Peru e o Porto de Guangzhou e reduzir o tempo e os custos de transporte marítimo. A participação da China na ferrovia será uma segunda etapa desse projeto de integração entre a América do Sul e o continente asiático.
Além disso, duas empresas chinesas do setor ferroviário, China Railway Construction Corporation (CRCC) e China Railway Engineering Corporation (CREC), trabalham em outras rotas, como uma que parte do Porto de Açu (RJ), passa por Corinto (MG), Uruaçu (GO) e Lucas do Rio Verde (MT) até chegar a Porto Velho (RO). E outra de 2.396 km ligando o Porto de Santos (SP) a Antofagasta (Chile), passando por Paraguai e Argentina.