
Se tem uma indústria que viveu altos e baixos – alguns quase extremos – nas últimas décadas foi a automotiva. Mas pode-se dizer que os momentos de prosperidade foram predominantes nesses últimos 30 anos que Automotive Business acompanha o setor. Enquanto os momentos de crise podem servir de lição para o futuro.
Não foram poucas as fases ruins. Ainda mais para um país e um segmento da economia muito mais suscetíveis a crises mundiais, como é o caso.
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Porém, a indústria se mostrou resiliente e sobreviveu. Com algumas sequelas, é verdade, mas também fortalecida. Prova disso é o volume de investimentos direcionados pela cadeia automotiva nesses últimos 30 anos.
“O pico de vendas no Brasil em 2012 demonstrou que o país tem potencial para alavancar vendas maiores. Temos capacidade industrial para chegar a quatro milhões”, diz Cassio Pagliarini, da Bright Consulting.
Mercado brasileiro ainda atrai empresas
Pode-se dizer que esse cenário atraente do país existe desde a década de 1990. Após a abertura às importações de veículos, houve uma proliferação de marcas no país.
Curiosamente, naqueles tempos muitas começaram inicialmente pelas mãos de importadores independentes. Contudo, essa ressaltada força da demanda do mercado atraiu as fabricantes.
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“Os brasileiros incentivaram muito mais a entrada de novas marcas no Brasil do que efetivamente as próprias marcas. Isso com o tempo foi mudando. Mostramos que o Brasil tinha e tem potencial”, recorda Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive.
Da década de 1990 para cá o país recebeu dezenas de montadoras e fábricas. Ao mesmo tempo, o parque industrial automotivo se desenvolveu. Isso em meio a crises.
E não foram poucas as intempéries globais: crises da Rússia, do México, cambial, fora a hecatombe financeira de 2008, na qual o Brasil deu lições.
“Tivemos habilidade em 2008. Fora que o sistema bancário aqui é mais controlado e protegido”, diz Cassio.
Programas setoriais foram fundamentais para o setor automotivo
Outros pontos positivos destes últimos 30 anos apontados pelos consultores e analistas de mercado foram os programas setoriais. Eles trouxeram a previsibilidade, palavrinha que consta no dicionário das fabricantes desde sempre.
O Inovar-Auto lançado em 2013 é considerado um marco, por trazer, pela primeira vez, regras mais estabelecidas para o setor automotivo. E uma legislação avançada em termos de eficiência energética e desenvolvimento tecnológico local.
Depois, vieram o Rota 2030 e, mais recentemente, o Mover, que chama a atenção pela questão dos veículos eficientes em boa parte do seu ciclo de vida.
“Destaco os marcos regulatórios que culminaram com o Mover, onde, além da eficiência energética, elementos estruturais, de segurança e agora de reciclagem passam a ser adotados. Além da mensuração das emissões do poço à roda”, destaca Milad Kalume Neto, da K.Lume.
“Foram programas que trouxeram o veículo brasileiro a um nível de qualidade de excelência. Temos veículos que podem ser vendidos em qualquer lugar do mundo. Progredimos bastante em segurança, conforto e auxílio a emissões”, completa Cassio, da Bright.
Sertor automotivo precisa produzir mais
Mesmo assim, para os consultores, faltam ainda muitos ajustes para alavancar a indústria automotiva. Um deles é incentivar a produção local e melhorar a competitividade dos produtos feitos aqui.
“Você tira imposto de importação, reduz para veículos eletrificados, e com isso mata a indústria nacional, que poderia estar investindo em novas tecnologias”, ressalta Garbossa.
“Não falo em protecionismo, mas em um incentivo para a indústria nacional em um nível de tecnologia muito grande”, completa.
A demora na eletrificação dos veículos fabricados aqui também é alvo de críticas. Nos últimos anos, apenas a Toyota desenvolveu um híbrido flex pleno e a Stellantis, em 2024, lançou um híbrido leve.
“A passividade da indústria automobilística em relação a eletrificação é um ponto negativo. Não ocorreu qualquer desenvolvimento representativo até que duas chinesas chegaram e causaram extremo alvoroço no mercado”, critica Milad.
Outro ponto a ser debatido é a capacidade produtiva. Para Cassio Pagliarini, da Bright Consulting, o país precisa trabalhar volume. E isso diz respeito à base do mercado.
“Precisamos arranjar um jeito de destravar a parte de baixo do mercado. Brasileiro deixou de comprar hatch porque falta poder aquisitivo”, acredita.
“É necessário trabalhar para conseguir vender mais. Está vindo um monte de carros entre 180 mil e 250 mil reais. Não é aí que você vai aumentar a indústria”, reforça.
Na opinião dos especialistas ouvidos, esse incremento da indústria é possível. Até porque o histórico de resiliência e aquela base de atratividade do país continuam fortes.
“Chegamos a vender 3,2 milhões de unidades e aumentamos a capacidade para 5 milhões. As empresas continuam vindo para o Brasil porque é um mercado em potencial e um hub de exportação para toda a América Latina”, afirma Paulo Garbossa, da ADK.
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