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eVTOLs são a maior revolução da mobilidade desde a 2ª Guerra, mas setor precisa decolar

Executivo da Eve Air Mobility, da Embraer, garante que até o fim de 2027 as operações serão iniciadas
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Raphael Panaro

03 out 2025

6 minutos de leitura

Revolucionário no aspecto da mobilidade, o mercado de eVTOLs para passageiros já é bilionário. Estudos recentes apontam que há mais de 350 empresas e mais de 800 programas de desenvolvimento das chamadas aeronaves elétricas de decolagem e aterrissagem vertical.

É um segmento que já teve uma injeção de mais de US$ 10 bilhões e tem players gigantes por trás, como a Embraer e a Boeing. Mas até agora nenhum dos chamados “carros voadores” do chão. Por quê? O que falta? Quando vai acontecer?

Regulamentações ainda são desafios para mobilidade dos eVTOLs

Os profissionais Fernando De Borthole, diretor e apresentador do programa Aero e Sérgio Tomasella, head of services & support da Eve Air Mobility, tentaram explicar toda a situação dos eVTOLs em um dos painéis do Automotive Business Experience – #ABX2025. A mediação foi da jornalista Luciana Elldorf.

Os especialistas, inicialmente, apontam as dificuldades dos eVTOLs decolarem. As primeiras atendem por certificações, infraestrutura e, claro, segurança.

“A certificação já vem do histórico da aviação, mas ela tem diferenças. É uma mistura das duas certificações, das duas escolas. Então, esse trabalho com as autoridades é o que a gente traz hoje de conceito”, explica Sérgio Tomasella, da Eve, subsidiária brasileira da Embraer dedicada aos eVTOLs.

Fernando De Borthole, diretor e apresentador do programa Aero, aponta que os eVTOLs em si são apenas parte de um complexo ecossistema de mobilidade.

“Tem que ter todo o sistema para receber essas aeronaves, como os vertiportos, certificação, separação do espaço aéreo porque hoje o espaço aéreo nas grandes cidades já está saturado”, diz.

De Borthole afirma ainda que os eVTOLs, depois de aviões e helicópteros, são um terceiro personagem.

“Quais os corredores no ar, quais as ruas aéreas que essa aeronave poderia voar no futuro? A estrutura para receber o eVTOL ainda está sendo construída em paralelo com o que está sendo desenvolvido em termos de aeronave. É um conceito de mobilidade aérea urbana e não só o equipamento que decola e pousa na vertical”, completa.

Quanto vai custar o carro voador?

Outra questão que surgiu no páinel sobre a mobilidade aérea urbana: os eVTOLs serão acessíveis para a população?

Os eVTOLs são, basicamente, como helicópteros. Mas com uma diferença: as aeronaves elétricas permitem uma aproximação e uma quantidade maior de operação – os helicópteros, por sua vez, têm um limite humano para poder operar aeronaves em uma proximidade maior.

“A ideia é chegar em um nível onde tem muitas dessas aeronaves voando. Você multiplicar por muitas unidades voando e reduzir significativamente o custo para você conseguir ter, claro, um acesso muito maior e ser uma coisa muito mais democrática do que o helicóptero é hoje em dia”, explica De Borthole.

Tomasella, da Eve Air Mobility, acredita ainda que, quando efetivamente os eVTOLs decolarem e o público em geral ver a facilidade e a acessibilidade, haverá um processo igual aos apps de transporte.

“Vai muito para o caminho de plataformas. O que a gente vê hoje com a ‘uberização’ dos carros, a gente também já vê esse horizonte para os eVTOLs. Esse compartilhamento vai escalar muito e isso reduz bastante o valor do assento”, completa o executivo.

Tomasella e De Borthole também enfatizam que os eVTOLs serão mais um modal de mobilidade e não vão substituir o helicóptero. O intuito é fazer as pessoas ganharem tempo dentro do caótico ambiente urbano. Fazer um trajeto que levaria, em horário de pico, duas horas em, no máximo, 15 minutos.

E a segurança?

Talvez este seja o principal fator do porquê os eVTOLs ainda não decolaram no Brasil – e no mundo. Mas Tomasella explica que estas aeronaves carregam o legado da indústria aeronáutica.

“Para você desenvolver um avião, você tem requisitos de segurança para evitar qualquer nível de catástrofe. E o eVTOL está sendo desenvolvido nessas mesmas bases”, diz.

“Existem muitas empresas desenvolvendo esta tecnologia, mas nenhuma ainda está operando de forma comercial de fato porque precisa passar por todo esse processo de certificação”, complementa o aviador, apresentador e diretor do programa Aero, Fernando De Borthole.

O especialista faz um paralelo com a aviação convencional, que já atua há mais de cem anos e, quando acontece um acidente aeronáutico, a repercussão é negativa. O inédito mercado de eVTOLs precisa garantir que nada aconteça para não sucumbir antes mesmo de levantar voo.

“Imagina se há uma falha e se pessoas acabam perdendo suas vidas? Toda essa indústria vai ter uma dificuldade gigantesca”, diz De Borthole.

“É por isso que todas as empresas, todos os órgãos reguladores, não só do Brasil, mas do mundo inteiro estão trabalhando muito para que quando isso comercialmente começar de fato a atuar, a segurança seja garantida. Existe todo um processo até isso realmente decolar com uma pessoa a bordo.

Infraestrutura de mobilidade para os eVTOLs

Outra parte importante do sistema de mobilidade dos eVTOLs é a infraestrutura. Estas aeronaves, inicialmente, devem usar ou converter muitos pontos ou helipontos que já existem.

Este seria o caminho mais simples para começar: transformar helipontos em vertistops. Basta apenas trazer a estrutura de energia elétrica para acoplar nessa localidade.

Sergio Tomasella, no entanto, já pensa no futuro e dá uma visão como seria a infraestrutura ideal para os eVTOLs nos próximos anos e ainda aponta para um caminho de integração com os transportes tradicionais.

“O Brasil já tem toda a parte de eletrificação para o solo e para cargas altas, para os ônibus e caminhões. O eVTOL vai estar nesta faixa”, explica.

“No futuro ele vai ter o objetivo de conectar com outros modais, com linha de metrô, com automotivo, para realmente trazer essa flexibilidade. E, por fim, a adaptação em alguns pontos dos aeroportos, que também não é difícil”, completa.

Ok, mas quando vai decolar?

Tomasella resume dizendo que 2025 ainda é desenvolvimento, mas que “vai concluir o primeiro voo ainda esse ano”.

Já para os próximos dois anos está prevista a construção de diversos protótipos para os processos de certificação junto aos órgãos regulatórios no Brasil e nos Estados Unidos. E crava: “final de 2027 teremos a primeira entrega e início das operações”.

O executivo ainda faz uma previsão bastante otimista e diz que em cinco anos haverá a utilização do eVTOL na cidade de São Paulo.

“É o tempo só para concluir que outros players de outras indústrias que possam trabalhar com o desenvolvimento de vertiportos, na parte de otimização de baterias e tudo mais. É uma indústria muito grande e forte que está sendo desenvolvida”, afirma Tomasella.

Questionados se os eVTOLs são a maior revolução da mobilidade nos últimos tempos, os profissionais são uníssonos. “Em termos de aviação, eu acho que desde o final da Segunda Guerra Mundial a gente está em um momento disruptivo”, afirma De Borthole. “Só tenho que concordar”, finaliza Tomasella.