logo

comércio exterior

Exportações de veículos crescem para o México, mas caem para a Argentina

Anfavea observa comportamento de principal parceiro comercial, mas crê que vendas externas se manterão estáveis em 2026
Author image

Fernando Miragaya

06 mar 2026

3 minutos de leitura

Exportações de veículos a partir do Brasil com unidades do Volkswagen Tera no porto

O arrefecimento do mercado de veículos da Argentina impactou diretamente as exportações a partir do Brasil. No primeiro bimestre de 2026, a queda nos embarques foi de 28%, retração levemente aliviada pelas vendas para o México.

Os números foram revelados pela Anfavea, entidade que reúne as fabricantes. Nesses primeiros dois meses de 2026, as exportações de veículos somaram 59,4 mil unidades, contra 82,4 mil do janeiro-fevereiro de 2025.

Argentina acende alerta para exportações de veículos

A diminuição nos embarques para a Argentina puxou os números negativos. Foram 14,4 mil unidades enviadas para o país vizinho em fevereiro, 7,5% a menos que em janeiro.

Ainda que com uma base forte em 2025 – o mercado interno argentino fechou quase o dobro do que se imaginava -, a Anfavea diz estar atenta ao comportamento do principal parceiro comercial do país.

“A Argentina continua com incertezas. Ainda não se consegue ter uma visão do todo, mas já chama a atenção”, afirmou Igor Calvet, presidente da Anfavea, em coletiva para divulgação do balanço do bimestre nesta sexta-feira, 6.

México é para valer ou alta pontual?

Em contrapartida, as exportações de veículos para o México tiveram forte alta. Em fevereiro, foram 9,1 mil unidades embarcadas para lá, 318% a mais que as poucas 2,2 mil unidades enviadas em janeiro.

Outros números positivos nas exportações se deram nas vendas para o Chile, que somaram 2,2 mil (+34%) e para o Uruguai, com 1,6 mil (+50%). Já as exportações de veículos para a Colômbia, com 2,1 mil unidades, tiveram leve recuo de 3,7%.

Apesar da reação das vendas para o México, a Anfavea vê com cautela tais números, que podem ser exportações “pontuais”. E apesar de os embarques para o país terem arrefecido de certa forma os números da Argentina, o presidente da entidade não enxerga esta compensação ao longo do ano.

“Não vamos conseguir compensar o México com a Argentina, pois são condições diferentes. Com a Argentina temos uma integração produtiva que faz com que essa relação seja mais robusta”, pondera Igor Calvet.

Mesmo assim, a Anfavea espera que as exportações se estabilizem ao longo de 2026.

“Tivemos um grande número para a Argentina no ano passado. Estamos em um bom nível e com uma base mais alta. A gente espera número mais estável das exportações ao longo do ano”, afirmou o executivo.

Importações também recuam

Um ponto de inflexão é o comportamento das importações. As exportações de veículos da Argentina para o Brasil, por exemplo, também caíram. Foram 11,6 mil unidades em fevereiro, queda de 13,6% ante janeiro.

“O que chama a atenção é que tanto exportação quanto importação caíram. O fluxo comercial com a Argentina no primeiro bimestre não foi legal”, ressaltou Igor.

Por falar em importações, a chegada de veículos de outros países teve recuo nos números do bimestre. Foram, 71,8 mil veículos trazidos de fora, 4,5% a menos que nos dois meses iniciais de 2025.

A importação de carros chineses em fevereiro somou 15 mil unidades, 11% a menos que em janeiro. O que pode ser explicado pelo início da produção local de algumas marcas da China, mas também pelo volume de estoque.

Segundo a própria Anfavea, o estoque de veículos importados em fevereiro é de mais de 172 mil unidades e 182 dias, contra 26 dias dos produtos nacionais.