
A fusão de Honda e Nissan não vai mais acontecer. O fim das conversas foi confirmado e aconteceu mesmo depois de as partes terem assinado um memorando de entendimento.
O encerramento das negociações da fusão pode ter efeitos tanto para a Honda quanto para a Nissan. Automotive Business lista a seguir o que pode ter atrapalhado a fusão e como as montadoras vão seguir suas vidas.
Divergências entre Honda e Nissan sobre fusão terão efeitos
Nenhuma das empresas admitiu, mas a discordância entre as partes sacramentou o fim das conversas.
Enquanto a Honda queria que a Nissan fosse uma subsidiária, a Nissan queria um modelo de negócio mais equalitário entre as partes.
O fim das conversas pode não ter sido tão ruim para as pretensões da Nissan. Embora precise de um parceiro para sair da crise, a montadora possivelmente perderia autonomia se tivesse concordado em se fundir com a Honda.
Vida da Honda segue como está
O fim das conversas para a fusão com a Nissan não muda a estratégia da Honda.
A empresa tem um valor de mercado quase cinco vezes maior que o da Nissan e é a vice-líder do mercado automotivo japonês, atrás apenas da arquirrival Toyota. Já a Nissan é a terceira colocada e, pelo menos no momento, não tem forças para ameaçar a Honda.
A consequência mais grave para a Honda está na participação de mercado da nova empresa. Como a companhia seria a terceira maior montadora de veículos do mundo, a marca poderia ampliar seus domínios no mundo com a ajuda da Nissan.
Honda poderia aproveitar presença da Nissan em alguns países
A fusão com a Nissan poderia ter efeitos positivos para a Honda em alguns mercados. Um deles é o México, onde a Nissan é líder de vendas há décadas.
No entanto, a Honda tem uma boa participação de mercado na maioria dos mercados onde a sua conterrânea também está presente.
Nissan deve sofrer com plano de cortes de custos
A Nissan precisará tomar medidas ainda mais drásticas para enxugar gastos.
A montadora já havia anunciado que vai cortar 9 mil empregos e reduzir a capacidade produtiva em 20% em todas as suas fábricas pelo mundo. A Honda, inclusive, teria criticado essas decisões enquanto as empresas ainda discutiam os termos da fusão.
A ideia era cortar o máximo possível de custos antes de concretizar a fusão com a Honda. Com a mudança de planos, a Nissan deve enfrentar dificuldades financeiras para passar por esse processo.
Risco necessário: Nissan vai investir para ter novidades
A Nissan já disse que pretende lançar novos produtos para tentar fazer caixa.
Evidentemente é uma estratégia bastante arriscada, sobretudo quando se está em meio a uma crise. Porém, a decisão é necessária para tentar aumentar suas vendas em mercados vitais, como a América do Norte, onde a Nissan passa por dificuldades.
Honda pode voltar a negociar se CEO da Nissan sair
A Honda, por sua vez, admitiu a possibilidade de retomar as negociações no futuro. Só que isso aconteceria apenas se o atual CEO da Nissan, Makoto Uchida, deixasse a empresa.
O jornal “Financial Times” foi quem revelou a informação após ouvir uma fonte ligada às empresas. A decisão teria acontecido porque o CEO da Honda, Toshihiro Mibe, disse que a companhia não pretende “forçar a barra” para concretizar a fusão com a Nissan.
Se um novo CEO mais habilidoso na administração de conflitos internos assumir o controle da Nissan, aí sim a Honda poderia negociar novamente.
Indústria japonesa perde sem fusão
A indústria automotiva do Japão pode ter sido a maior perdedora com o fracasso na fusão entre Honda e Nissan. Caso as empresas tivessem se juntado, o setor automotivo local ganharia bastante força na briga com as montadoras da China.
Sem a fusão, BYD e outras montadoras chinesas vão continuar dominando o segmento de carros elétricos.
