logo

veículos pesados

Produção e venda de caminhões sentem o baque dos juros

Segmento de pesados apresenta recuo nos licenciamentos pela primeira vez, mas exportações e safra podem salvar o setor
Author image

Fernando Miragaya

08 mai 2025

2 minutos de leitura

O segmento de caminhões mostra sinais de arrefecimento mais significativos em razão principalmente dos juros. O quadrimestre registrou alta tímida na produção de pesados e recuo nas vendas pela primeira vez no ano.

Segundo balanço da Anfavea, associação das montadoras, de janeiro a abril a produção de caminhões no Brasil atingiu 42,8 mil unidades. O número é 4,3% superior ao primeiro quadrimestre de 2024.

Só em abril, a produção foi de 11 mil caminhões. Com isso, houve queda de 5,5% em relação a igual mês do ano passado e recuo de 6% na comparação com março.

Já os licenciamentos de caminhões anotaram queda em todos os cenários de comparação. As 37,1 mil unidades nos quatro meses inicias de 2025 representam discreta queda de 0,4% em relação ao mesmo recorte de 2024.

Juros acendem o sinal amarelo no setor de caminhões

Em abril foram vendidos 9,3 mil caminhões. Volume 13% inferior a igual mês do ano passado e -0,3% em relação a março. Para o presidente da Anfavea, Igor Calvet, vai ser preciso acompanhar de perto e com atenção o desempenho de caminhões no ano, particularmente devido aos juros.

“Pela primeira vez no acumulado esses dados comparativos a 2024 caíram. Temos evidência que a safra seja muito boa esse ano, mas a elevação da taxa de juros pode ocasionar um fator adicional de preocupação no mercado de camihões”, afirmou o executivo.

“Há uma procura menor porque os estoques começaram a subir e os ajustes de produção são necessários. Não que o mundo tenha acabado, mas preocupa e temos de observar e acompanhar esse mercado”, completa o vice-presidente da Anfavea, Alexandre Parker.

O sinal amarelo na produção e vendas de caminhões, na verdade, está aceso já há algum tempo em razão da taxa de juros. Agora, deve ficar mais forte já que na quarta, 8, o Copom aumentou em 0,5% a Selic, que agora é de 14,65%.

“Doze meses atrás essa taxa era de 10,5%. Isso terá impactos nos próximos meses, mas vamos continuar trabalhando para que o setor continue avançando”, diz Igor.

Exportações de caminhões têm forte alta

A expectativa de safra recorde e as exportações, contudo, podem “compensar” o segmento de caminhões. As vendas externas de 8,1 mil unidades no primeiro quadrimestre representam alta de quase 80%.

Em abril foram 2,1 mil caminhões embarcados. Queda de 18,3% em relação a março, mas crescimento de outros 80% ante idêntico mês de 2024.