
O lançamento do novo Jeep Renegade trouxe um choque de realidade. Tanto que a Stellantis nem se arrisca em dizer que quer brigar pela liderança dos SUVs compactos. Prefere falar em participação “representativa” e buscar exportações overseas para este e outros modelos.
Em conversa com a Automotive Business durante a apresentação do novo Renegade, o presidente e COO da Stellantis América do Sul foi “sincerão”. Herlander Zola declarou que o exemplar da Jeep busca uma participação mais representativa em um cenário bem diferente.
Como a Stellantis enxerga a participação do Renegade
Claro que esse discurso traz aquele tom de humildade e deixa brecha para, caso a liderança surja, servir como prova de superação da marca. Mas também expõe uma consciência da fabricante de que a concorrência hoje está muito voraz.
Basta voltar 10 anos no tempo e perceber que os rivais diretos do Jeep Renegade nesta categoria B-SUV eram apenas quatro. Por isso mesmo, chegou a ser o utilitário esportivo mais vendido do país por alguns anos na segunda metade da década de 2010.
Hoje, ele chega renovado e com sistema híbrido leve. Só que para encarar uns 20 concorrentes.
“Nosso objetivo não é ser líder com o Renegade, mas sim conquistar uma fatia de mercado muito mais representativa do que aquela que a gente conseguiu obter com o Renegade anterior”, avisa Zola.
Mas também sem essa de ficar muito longe do pódio. Lembrando que hoje o Renegade é o oitavo mais licenciado entre os SUVs compactos.
“Queremos figurar no top cinco do segmento. Com toda a certeza, acho que a gente tem potencial para isso”, completou o presidente da Stellantis.
Oriente Médio se mostra mais promissor que mercados andinos

Já as exportações do renovado Renegade na América do Sul estão encaminhadas. O sistema híbrido leve está sendo adaptado para o mercado argentino para operar apenas com gasolina.
Uruguai e Paraguai também receberão o SUV produzido em Goiana (PE), enquanto o Chile surge como mercado secundário. Hoje, Brasil e Argentina representam mais de 70% do mercado da América do Sul, e a região toda responde por 18% dos volumes de vendas globais da Stellantis.
Mesmo assim, para os demais países sul-americanos, a realidade também é diferente tal qual para o novo Renegade por aqui. Apesar de os chamados mercados andinos estarem aqui do lado e crescerem a uma taxa de 16% ao ano, a Stellantis ainda não consegue se valer de sua robustez industrial local.
Segundo Zola, a maior parte dos veículos vendidos nestas regiões, características por terem mercado “aberto”, tem procedência asiática.
“Os custos de produção na Ásia são muito mais baixos quando comparados aos do Brasil, e como esses mercados não têm nenhum tipo de barreira para a entrada desses produtos, os da Ásia têm um nível de competitividade muito maior. É por isso que a nossa participação como Stellantis nesses mercados é mais tímida”.
“Seguimos com nossos investimentos e uma série de movimentos para que a gente tenha a oportunidade muito em breve de viabilizar produtos Stellantis com um bom nível de competitividade. Isso é algo que a gente vai ter a oportunidade de fazer”, acredita o executivo.
Enquanto essa competitividade na vizinhança não vem, a Stellantis segue na tentativa de mercados fora da sua zona de conforto para expandir as exportações. Nesse contexto, Oriente Médio e África são as regiões promissoras.
Atualmente o Jeep Commander é exportado para o Oriente Médio, por exemplo. Muito por conta das semelhanças entre esses mercados com os da América do Sul, o que pode viabilizar a exportação do novo Renegade e de outros produtos.
“Hoje já existe um nível de sinergia muito maior com Oriente Médio e África, que tenho certeza não apenas para o Renegade, mas para muitos outros produtos e desenvolvimentos que a gente está fazendo aqui para a América do Sul, e que eles possam também utilizar nessas regiões”, explica.
