logo
EventosEstudos

exportações

Com novo Renegade, Stellantis quer participação representativa e mercados overseas

Presidente da montadora diz que renovado SUV compacto da Jeep pode se valer de sinergias com regiões do Oriente Médio e África
Author image

Fernando Miragaya

27 mar 2026

4 minutos de leitura

Jeep Renegade na versão Longitude
Renegade acaba de ser atualizado e ganhar versões híbridas

O lançamento do novo Jeep Renegade trouxe um choque de realidade. Tanto que a Stellantis nem se arrisca em dizer que quer brigar pela liderança dos SUVs compactos. Prefere falar em participação “representativa” e buscar exportações overseas para este e outros modelos.

Em conversa com a Automotive Business durante a apresentação do novo Renegade, o presidente e COO da Stellantis América do Sul foi “sincerão”. Herlander Zola declarou que o exemplar da Jeep busca uma participação mais representativa em um cenário bem diferente.

Como a Stellantis enxerga a participação do Renegade

Claro que esse discurso traz aquele tom de humildade e deixa brecha para, caso a liderança surja, servir como prova de superação da marca. Mas também expõe uma consciência da fabricante de que a concorrência hoje está muito voraz.

Basta voltar 10 anos no tempo e perceber que os rivais diretos do Jeep Renegade nesta categoria B-SUV eram apenas quatro. Por isso mesmo, chegou a ser o utilitário esportivo mais vendido do país por alguns anos na segunda metade da década de 2010.

Hoje, ele chega renovado e com sistema híbrido leve. Só que para encarar uns 20 concorrentes.

“Nosso objetivo não é ser líder com o Renegade, mas sim conquistar uma fatia de mercado muito mais representativa do que aquela que a gente conseguiu obter com o Renegade anterior”, avisa Zola.

Mas também sem essa de ficar muito longe do pódio. Lembrando que hoje o Renegade é o oitavo mais licenciado entre os SUVs compactos.

“Queremos figurar no top cinco do segmento. Com toda a certeza, acho que a gente tem potencial para isso”, completou o presidente da Stellantis.

Oriente Médio se mostra mais promissor que mercados andinos

Herlander Zola, presidente Stellantis América do Sul
Herlander Zola, presidente Stellantis América do Sul, durante apresentação do novo Renegade

Já as exportações do renovado Renegade na América do Sul estão encaminhadas. O sistema híbrido leve está sendo adaptado para o mercado argentino para operar apenas com gasolina.

Uruguai e Paraguai também receberão o SUV produzido em Goiana (PE), enquanto o Chile surge como mercado secundário. Hoje, Brasil e Argentina representam mais de 70% do mercado da América do Sul, e a região toda responde por 18% dos volumes de vendas globais da Stellantis.

Mesmo assim, para os demais países sul-americanos, a realidade também é diferente tal qual para o novo Renegade por aqui. Apesar de os chamados mercados andinos estarem aqui do lado e crescerem a uma taxa de 16% ao ano, a Stellantis ainda não consegue se valer de sua robustez industrial local.

Segundo Zola, a maior parte dos veículos vendidos nestas regiões, características por terem mercado “aberto”, tem procedência asiática.

“Os custos de produção na Ásia são muito mais baixos quando comparados aos do Brasil, e como esses mercados não têm nenhum tipo de barreira para a entrada desses produtos, os da Ásia têm um nível de competitividade muito maior. É por isso que a nossa participação como Stellantis nesses mercados é mais tímida”.

“Seguimos com nossos investimentos e uma série de movimentos para que a gente tenha a oportunidade muito em breve de viabilizar produtos Stellantis com um bom nível de competitividade. Isso é algo que a gente vai ter a oportunidade de fazer”, acredita o executivo.

Enquanto essa competitividade na vizinhança não vem, a Stellantis segue na tentativa de mercados fora da sua zona de conforto para expandir as exportações. Nesse contexto, Oriente Médio e África são as regiões promissoras.

Atualmente o Jeep Commander é exportado para o Oriente Médio, por exemplo. Muito por conta das semelhanças entre esses mercados com os da América do Sul, o que pode viabilizar a exportação do novo Renegade e de outros produtos.

“Hoje já existe um nível de sinergia muito maior com Oriente Médio e África, que tenho certeza não apenas para o Renegade, mas para muitos outros produtos e desenvolvimentos que a gente está fazendo aqui para a América do Sul, e que eles possam também utilizar nessas regiões”, explica.