
Apesar de esforços pontuais para tirá-la do trono, a Fiat Toro segue seu reinado de 10 anos sem grandes sustos no segmento de picapes intermediárias. Mas essa paz será interrompida nos próximos anos.
Até o fim de 2027, ao menos quatro picapes intermediárias vão tentar abalar o império do modelo da marca italiana, líder absoluta da categoria desde que foi lançada, lá em 2016. Recentemente, inclusive, a BYD já adiantou a Mako na Agrishow.
Além dela, uma montadora de tradição em picapes, a Toyota, também prepara sua representante no mercado de picapes intermediárias. Só que tem mais pesos-pesados: a Volkswagen também já está com a Tukan no forno e a Renault prepara a Niagara.
Segmento de picapes intermediárias seduz montadoras
Mas por que esse interesse grande das fabricantes com esta categoria, também chamada de médio-compactas? Há diversas razões, a começar por ser um mercado que não para de crescer.
Basta ver que no fim dos anos 2010 tínhamos apenas dois exemplares neste mercado: Toro e Renault Oroch. Hoje, são cinco. Nos últimos anos, tivemos a chegada de Chevrolet Montana, Ram Rampage e Ford Maverick.
Segundo dados de emplacamentos do Renavam informados pela Fenabrave, foram 114.316 unidades de picapes intermediárias licenciadas em 2025. Isso representou aproximadamente 1/4 do mercado total de picapes e 5% do mercado de veículos leves em geral.
No trimestre inicial de 2026, essas picapes já somam mais de 26,8 mil unidades vendidas. Aumento de 11% em relação ao mesmo período do ano passado, quando houve 24 mil licenciamentos.
As mais vendidas da categoria no trimestre de 2026
- 1º FIAT TORO 13.126
- 2º RAM RAMPAGE 6.230
- 3º CHEVROLET MONTANA 3.595
- 4º RENAULT OROCH 2.788
- 5º FORD MAVERICK 1.075
Some a isso o fato de as margens serem mais generosas neste segmento. As picapes intermediárias usam arquiteturas em monobloco de carros de passeio já existentes, o que significa diluição de custos em maquinário, desenvolvimento e compartilhamento de componentes.
As picapes que virão por aí
Tal cenário obviamente aguçou o apetite das montadoras, que também querem a sua fatia nessa pizza que cresce a cada ano.
Automotive Business agora vai trazer um resumo dos lançamentos de picapes intermediárias previstos para até o fim de 2027. O que esperar dos modelos, quando chegarão
Volkswagen Tukan

A marca alemã recentemente confirmou que a Tukan será seu primeiro carro híbrido flex no Brasil. A picape ainda não foi revelada por inteiro, porém, já começou a ser produzida sobre a plataforma MQB A0 (mesma dos SUVs Nivus e do T-Cross) em São José dos Pinhais (PR).
A expectativa é que o conjunto híbrido leve estreie o motor 1,5 turbo aliado a um motor elétrico alimentado por uma bateria auxiliar de 48V. Mesmo porte do que a Stellantis implementou no Jeep Renegade e que vai implementar na Toro.
Porém, a Tukan deve ter outras opções de motores puramente a combustão. As configurações de entrada, por exemplo, devem ir de 1.0 TSI de 128/116 cv que já equipa os dois SUVs citados.
Há ainda a expectativa de que a picape da Volks tenha opção de cabine simples, algo ainda inédito nessa categoria. A Tukan deve fazer sua estreia no último trimestre do ano.
Renault Niagara

A Renault vai tentar melhor sorte no segmento que criou. Pois é, a Oroch foi a mãe da categoria, em 2015, mas seu desenho datado e baseado no velho Duster fez o modelo parecer muito desfasado em relação à Toro, que chegou no ano seguinte.
Hoje, a Oroch acaba por explorar mais um nicho dentro do mercado de picapes intermediárias mais voltado para o trabalho, vendas diretas e pequenos frotistas. Só que ela sairá de linha em breve justamente para dar lugar ao modelo baseado no conceito Niagara.
Pois é, a nova aposta da Renault tem um design bem mais adequado e arrojado para disputar a categoria. E também sua arquitetura, a plataforma modular RGMP, a mesma que serve aos SUVs Boreal e Kardian.
Desta forma, a Niagara, que já começou a ser montada na Argentina, chegará ao Brasil no começo do segundo semestre com o motor 1.3 turbo e câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas. No Boreal, o conjunto rende 163/156 cv de potência.
BYD Mako

A nova picape da BYD deu o ar da graça na Agrishow 2026, toda camuflada com um adesivo escuro e fosco. O veículo também é baseado em um SUV, neste caso o Song Plus. Por isso, a previsão é de que a Mako se valha do mesmo conjunto mecânico do companheiro de plataforma.
Neste caso, o modelo vai chegar com sistema híbrido plug-in, com um motor 1.5 já flex e outro elétrico dianteiro. Na linha 2027, esse conjunto gera 239 cv de potência combinada e 40,1 kgfm de torque combinado.
Porém, também há a expectativa de que a Mako use o sistema híbrido do Song Pro. Neste caso, uniria um motor 1.5 aspirado flex a outro propulsor elétrico. No SUV menor, são 223 cv atualmente.
De qualquer forma, a Mako deve ser a primeira entre as picapes intermediárias a ter um sistema híbrido plug-in. Além disso, a aposta é que o veículo tenha versão topo de linha com tração 4×4.
As vendas devem começar no fim do terceiro trimestre, com unidades importadas da China. E a produção na fábrica da BYD de Camaçari (BA) deve ocorrer no segundo semestre.
Picape da Toyota

Outro concorrente que pode perturbar a supremacia da Toro é a futura picape da Toyota que ficará abaixo da Hilux e que usará a plataforma TNGA. Essa é a mesma arquitetura que serve ao Corolla.
O modelo será inspirado no conceito EPU, será produzido em Sorocaba (SP) e terá opção de motor híbrido leve igual ao do sedã médio e do SUV Corolla Cross. Porém, o conjunto com o 1.8 flex e motor elétrico será atualizado até lá, que a picape só deve fazer sua primeira aparição no último trimestre de 2027.
