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Volvo Car prioriza rentabilidade para se manter na vice-liderança

Em entrevista à AB, CEO da marca sueca no Brasil fala sobre eletrificação e operação sustentável da empresa no segmento premium
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Fernando Miragaya

29 abr 2025

4 minutos de leitura

No competitivo mercado automotivo, manter o segundo lugar está longe de ser necessariamente um demérito. Na visão da Volvo Car, por exemplo, a prioridade é ter uma operação saudável e com rentabilidade, nem que isso signifique continuar na vice-liderança do segmento premium.

É aquele velho desafio do setor, de manter o equilíbrio entre volume e lucro. O que, no caso da Volvo, ganha outra dimensão justamente por ser uma fabricante de nicho que atua no Brasil apenas com carros importados e eletrificados.

Segundo o CEO da Volvo no Brasil, Marcelo Godoy, esse é quase um mantra da empresa por aqui. Mais do que crescer em volume de vendas, aumentar a participação de mercado e até buscar uma liderança no segmento premium, a prioridade é ter uma operação rentável em toda a cadeia.

Volvo busca rentabilidade com estratégia simples

Em entrevista à Automotive Business, o executivo, reitera que manter um negócio no Brasil é sempre um desafio, independentemente de segmento em que atua e se com forte eletrificação, como é o caso da marca sueca. Mas diz que a rentabilidade para a Volvo vem de duas formas “bem simples”.

“Uma é a receita de onde você tira a venda dos carros, onde se consegue precificar com uma marca forte e um produto de qualidade. O outro ponto é ter custos bem otimizados, uma sinergia de custos, e aí se tem uma margem maior”, diz

“A gente é rentável, a rede de concessionárias é rentável, então é um negócio rentável para todo o ciclo”, garante Godoy.

No caso da Volvo, o caminho dos custos é global. O CEO da Volvo Brasil diz que a fabricante já otimizou a produção de seus veículos elétricos e híbridos lá fora. Tanto pelo avanço da tecnologia, como pelo ganho de escala.

“O grande diferencial é a diminuição do custo de produção. O custo médio por kilowatt construído vem caindo muito nos últimos anos. Como toda a tecnologia, se aumenta a demanda e tem oferta, diminui o custo”, afirma.

Planejamento do ano contempla cenários adversos

Mas, no caso de uma marca que atua no mercado de luxo, com elétricos e híbridos, e que depende de importações, a operação fica vulnerável.

Além da taxação para os carros eletrificados no Brasil, há as oscilações e instabilidades globais que impactam a economia e o câmbio. Está aí o efeito Trump que não nos deixa mentir.

“É até engraçado porque o mais previsível é a imprevisibilidade. Hoje eu já trabalho o meu planejamento para o ano que vem. Para esse ano, a gente tem todos os cenários mapeados. Para qualquer lugar para onde vai a economia, temos ferramentas de proteção e tentamos repassar o mínimo dos impactos”, assegura Godoy.

O executivo acredita que tal estratégia se mostra eficaz por aqui. E usa números como exemplo. Em 2023, com ainda imposto zero de importação para eletrificados, a Volvo vendeu cerca de 8 mil carros no Brasil.

Em 2024, já com a alíquota reajustada para 18%, a fabricante manteve os licenciamentos no mesmo patamar de 8 mil unidades.

“Teoricamente a gente deixou impactar o mínimo possível nosso volume de vendas, mantendo a nossa rede de concessionários saudável e com um novo ciclo de produto”, defende, citando os mais recentes lançamentos da marca: o elétrico EX90 e o remodelado XC90 híbrido.

Sem promessas e metas de volumes maiores

E tudo bem a Volvo manter esse volume em 2025. Assim como assegurar seu posto na vice-liderança do mercado premium. O CEO da marca é categórico ao falar de metas para aumento de vendas, de market share ou para assumir o primeiro lugar na categoria.

“Eu não posso dizer para você que eu vou brigar pela liderança, porque em algum momento brigar pela liderança pode significar abrir mão de rentabilidade. Eu não vou fazer isso”, avisa o CEO das Volvo.

Diante de um cenário que o executivo considera desafiador para o Brasil em 2025, do ponto de vista econômico, a estratégia da marca, de pés no chão, será a mesma.

A empresa não vê problemas em continuar com seus 20% de participação no segmento premium e quer manter a liderança de produtos específicos em seus nichos, como o EX30 e o XC60. Além de lançamentos, sempre com um portfólio que mescla híbridos e elétrico.

“Hoje a gente bateu ali num teto entre oito mil e dez mil carros no Brasil. Se o mercado crescer, a gente vê espaço. Mas hoje essa é a nossa ambição”, admite.

Nem mesmo o avanço das marcas chinesas – inclusive com a chegada da Geely, dona da Volvo, com marca própria – preocupa os negócios e tais planos.

Para Godoy, os novos players com produtos eletrificados podem ajudar a diminuir as desconfianças que ainda perduram em relação a veículos plug-in. Porém, ele resalta que esse avanço tem de vir acompanhado de infraestrutura.

“Quanto mais empresas vierem para o Brasil ajudar a construir a eletrificação, melhor. Acho importante vender os carros, mas, mais do que isso, ajudar na infraestrutura, na manutenção dos valores residuais dos carros. Minha preocupação é se essa ajuda está acontecendo”, pondera.