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Híbrido leve é atalho para carros atenderem ao Proconve, mas não será o suficiente

Na última reportagem da série sobre o impacto das regras de emissões mostramos como os eletrificados terão papel crucial no L8
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Fernando Miragaya

12 mar 2025

4 minutos de leitura

A hibridização do setor automotivo brasileiro é um caminho sem volta não só para ser uma vitrine tecnológica e de marketing para as fabricantes. A tecnologia será fundamental para que as montadoras atendam ao Proconve L8 e os híbridos-leves serão apenas o primeiro passo.

Na última reportagem da série da Automotive Business sobre o impacto do Proconve L8 nas engenharias e nos veículos vamos destacar justamente esse caminho iniciado com a ajuda do híbrido leve. Mas que vai exigir uma eletrificação muito mais robusta para atender aos limites de emissões poluentes até 2030 (veja quadro no fim deste conteúdo).

Como o Proconve L8 tem limites graduais, o híbrido leve servirá como um atalho para a próxima etapa, que entra em vigor em janeiro de 2027. Até lá, os veículos leves só poderão emitir até 40 mg por quilômetro rodado de gases orgânicos não metano e óxidos de nitrogênio (NMOG + NOx).

Híbridos atacam consumo e ajudam no Proconve

Segundo os engenheiros, o híbrido leve – sistema no qual uma bateria pequena serve a um motorzinho elétrico que faz as vezes de gerador -, por si só pode não só reduzir o consumo de combustível como também diminuir significativamente as emissões de poluentes para ajudar as fabricantes a atenderem ao Proconve.

“No híbrido leve, o motor elétrico apoia o motor de combustão interna no processo de funcionamento, e isso gera uma redução considerável das emissões gasosas nocivas. Vejo uma penetração muito grande dessas tecnologias a partir deste ano e ainda maior em 2030”, diz Everton Lopes, da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).

O executivo explica que um carro com sistema híbrido leve pode representar redução no consumo de 5% a 10% quando comparado a um veículo similar apenas com motor de combustão. Porém, nas emissões de CO2, por exemplo, a redução pode chegar a 15%.

“Toda hibridização vai no bom sentido para a eficiência energética, pois se desonera o motor térmico e ganha-se em eficiência e menos emissões. A gente acredita muito nesse caminho da hibridização, até porque ele oferece uma experiência para o cliente interessante no sentido de autonomia, sem preocupação de carregar”, crê João Dias, gerente de P&D da Horse.

Regras exigirão maior hibridização

Mas o híbrido leve não será o suficiente para que as montadoras atinjam os limites estabelecidos para 2030. Além de outras diversas soluções nos conjuntos mecânicos, a adoção de sistema híbrido pleno ou plug-in se fará necessária nos veículos para que eles fiquem dentro das normas do Proconve a médio e longo prazos.

“O híbrido leve não necessariamente deve conseguir atingir os níveis de emissões em 2030 por conta do RDE”, atenta Eduardo Bennacchio, gerente de engenharia da Toyota, referindo-se ao Real Driving Emissions, testes de rodagem que medem poluentes em condições reais, não só em laboratório.

No caso dos híbridos plenos e plug-in, são modelos onde o motor elétrico traciona diretamente as rodas. Desta forma, as reduções de emissões podem ficar entre 20% e 30% quando comparadas a veículos similares movidos só por combustão tradicional.

Híbrido também é caminho para o Mover

Neste cenário, os híbridos também serão estratégicos para o Proconve e ainda para o programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), que prevê metas de redução de consumo e de uso de fontes de energia renováveis, como o etanol.

“São tecnologias muito promissoras, que vemos inclusive o Mover incentivando, sobretudo aquelas que utilizam biocombustível, como o híbrido flex. E essa deve ser a tecnologia que vai entrar no mercado com muito mais força já a partir deste ano”, acredita Everton, da AEA.

Bom lembrar que não necessariamente toda a frota de uma montadora adotará conjunto híbrido de uma hora para a outra para seguir o Proconve. Ao menos inicialmente, a aplicação da tecnologia será gradual como a própria legislação.

Isso porque o L8 faz a classificação de cada veículo em uma faixa de emissões, e também o cálculo da média corporativa da empresa baseada no número de vendas e na faixa de emissões homologada de cada modelo.

“Dessa forma, veículos híbridos e elétricos passam a ter importância significativa nessa média corporativa, se os volumes forem suficientemente altos, uma vez que seus valores de emissões são reduzidos ou até zero em comparação com os veículos de motorização a combustão convencional”, observa André Drigo, gerente executivo do produto completo da Volkswagen.