
Ela é a que menos vende do segmento. Azar dos números, pois é uma das melhores de dirigir e também a única com eletrificação de fato da categoria. Falamos da Ford Maverick, a picape intermediária da marca norte-americana em sua versão híbrida.
Automotive Business avaliou por uma semana e quase 300 km a opção Lariat Hybrid da picape intermediária importada do México. O que ainda faz da Maverick, até o momento, a única híbrida plena do mercado, em que o motor elétrico também traciona as rodas – a Fiat Toro é um híbrido leve.
Maverick é a única híbrida para valer do segmento
Esse conjunto faz da Ford Maverick híbrida uma das mais eficientes em termos de consumo. Na carona, essa opção eletrificada ainda oferece tração integral desde 2024. Isso tudo sem abrir mão da boa dirigibilidade.
Um pacote que até releva o fato dela ter seus defeitos pontuais e de ser a menos emplacada da categoria. A Ford até baixou recentemente o preço da Maverick híbrida, mas não parece tão simples assim para reverter o seu desempenho comercial.
Veja agora sete fatos sobre a Ford Maverick híbrida.
Desempenho

A Maverick híbrida combina o 2.5 16V aspirado a gasolina de ciclo Atkinson com 164 cv com um motor elétrico de 128 cv. Na prática, a potência combinada de 194 cv resulta em uma picape bem valente no asfalto e mesmo na terra.
Bom frisar que a picape tem cinco modos de condução. São eles Normal, Escorregadio, Eco, Esportivo e Rebocar/Transp.
Nas arrancadas na cidade, no modo Eco, a Maverick eletrificada desenvolve bem e tem boas respostas. O 0 a 100 km/h, conforme dados da Ford, é feito na casa dos 8 segundos. Nada mal para uma picape com mais de 1,8 tonelada.
Na estrada, porém, o modelo se ressente do peso justamente nas ultrapassagens. Nessas situações, mesmo no modo Esportivo, a unidade elétrica demora a entrar nas retomadas.
O câmbio eCVT não colabora e é preciso esperar para a Maverick híbrida pegar embalo. Até porque o torque máximo de 21,4 kgfm só está disponível mesmo perto das 4.000 rpm. Depois, ao pegar velocidade de cruzeiro, a picape é só alegria.
Capacidades e tração 4×4

Uma das novidades da linha 2025 da Maverick híbrida – além da grade frontal, rodas e equipamentos – foi a chegada da tração 4×4. Ela atua sob demanda, mas dá um interessante upgrade na robustez da picape.
Nos trechos de terra que pegamos durante a avaliação, a Maverick híbrida mostrou desenvoltura em terrenos com menor aderência. Porém, falamos de um ambiente de dificuldade controlada, longe de ser uma trilha de rali – isso fica para a versão Tremor, que nós já avaliamos aqui.
Até porque, apesar da boa altura do solo, de 20,4 cm, a Maverick híbrida não tem capacidades que saltem aos olhos. São 20,6 graus de ângulo de ataque e 20,4 graus, de saída.
Por falar em capacidades, carga útil também não é o forte da versão eletrificada. Apenas 584 kg, menos que o que carrega uma picape compacta como a Fiat Strada. Em contrapartida, a caçamba tem volume para bons 943 litros, capota marítima, tomada 110V e um curioso abridor de garrafas.
Consumo

Pela tabela 2026 do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) sob critérios do Inmetro, o consumo urbano da Maverick híbrida fica em 15,7 km/l – e 13,6 km/l na estrada. Em nossa avaliação, com uso ⅔ na cidade, o computador de bordo registrou 13,8 km/l.
Não chega aos números que se espera do Inmetro, porém, é de longe uma das picapes mais econômicas do segmento. A Toro com sistema MHEV de 48V, por exemplo, faz 10,5 km/l na cidade, com gasolina.
Na central multimídia da picape, inclusive, é possível acompanhar a eficiência do conjunto. Além de mostrar os dados de consumo, é possível ver o status dos sistemas de combustão e elétrico – abastecido pela bateria de íons de lítio com 1,1 kWh de capacidade.
Dinâmica e dirigibilidade

Um dos grandes trunfos da linha Maverick. Feita sobre a plataforma C do venerado Focus, a picape consegue ser gostosa de dirigir, equilibrada e robusta. A direção é firme na maior parte do tempo e a carroceria passa segurança nas curvas.
A suspensão independente multibraço na traseira também merece elogios e contribui para o bom comportamento dinâmico da picape. As frenagens mais bruscas também são equilibradas e, mesmo com a caçamba vazia, a Maverick não sai do prumo.
Conforto e acabamento

A Ford Maverick tem 5,11 metros de comprimento, 3,07 m de entre-eixos, 1,98 m de largura e 1,73 m de altura. Na prática, o espaço interno está na média das rivais de segmento.
Acessar a picape não exige esforços e a posição de dirigir não é tão alta como na Ram Rampage, por exemplo. O volante tem boa pegada e os bancos acomodam bem os passageiros da frente, que desfrutam de espaço suficiente.
Ponto negativo para a visualização da central multimídia com tela de 13”. Ela é boa de operar, permite espelhamento sem fio, só que o display é muito reto e para quem gosta de colocar o banco mais alto – ou realmente tem mais de 1,80 m de altura – vai ter de dar aquela quebradinha de pescoço a la George Clooney.
No banco traseiro, o drama comum a este tipo de picape. O espaço não permite folgas para pernas e joelhos e um terceiro passageiro no assento central vai sofrer em viagens mais longas.
A suspensão novamente será elogiada aqui. Consegue robustez para a pista de terra, ao mesmo tempo em que filtra de forma eficiente os buracos do asfalto. Com a caçamba vazia, os sacolejos na cabine são minimizados.
No acabamento, chama a atenção o design descolado. Há detalhes em um tom meio cobre que são bem interessantes, além de outras partes que combinam azul, preto e marrom. O puxador da porta também é todo diferentão.
Contudo, é o império do plástico. Há poucas partes dos painéis com superfícies macias na Maverick híbrida e boa parte do revestimento deixa as marcas dos dedos e se mostra bem suscetível a riscos.
A cabine, contudo, tem uma infinidade de porta-objetos. No console central, dois porta-copos, porta-trecos e um profundo compartimento embutido no apoio de braço. Nas portas é possível acomodar garrafas. E abaixo do painel, espaço para carteira, suporte de celular e carregador de smartphone por indução.
Equipamentos, posicionamento e vendas

A Maverick híbrida vem com pacote de assistência à condução, como controle de cruzeiro adaptativo, assistência pré-colisão e frenagem autônoma com detecção de pedestres e ciclistas, assistente de permanência de faixa com centralização de pista, sensor de ponto cego, farol alto automático e frenagem pós-colisão.
Ainda na segurança, sete airbags, controle eletrônico de descida, assistente de subida em rampas, controle de cruzeiro para off-road, câmera 360, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, monitoramento da pressão dos pneus, freios a disco nas quatro rodas, entre outros.
Ar-condicionado automático bizona, banco do motorista com ajustes elétricos, teto solar, freio de estacionamento eletrônico com função auto hold, painel de instrumentos digital em display de 8”, volante com ajustes de altura e profundidade, chave presencial, faróis e lanternas de LEDs, rodas de liga leve aro 19” e tapetes de borracha também estão na lista.
A central multimídia é a Sync 4, com tela de 13,2”, conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay, entradas USB tipo A e tipo C e Bluetooth. O som desenvolvido pela Bang & Olufsen reúne oito alto-falantes.
A Maverick eletrificada é importada em versão única Lariat Hybrid. A Ford recentemente baixou o preço do modelo em R$ 10 mil que agora custa R$ 229.900, mesmo preço da off-road Tremor e R$ 10 mil mais cara que a Black – a porta de entrada da gama passou a ser a nova versão Lariat, de R$ 209.900.
Como dito, a Maverick é a picape intermediária menos vendida do segmento. De janeiro a setembro, pelos dados do Renavam, a picape da Ford teve 3.261 unidades emplacadas. Para se ter ideia, a líder Toro anotou quase 43 mil licenciamentos no período e a Maverick fica atrás até da Renault Oroch (8.023).
Mesmo assim, cerca de 40% das vendas da Maverick no Brasil são da versão híbrida.
Manutenção e pós-venda

A picape eletrificada segue a garantia de três anos dada pela Ford para o restante da linha. Já a bateria e os componentes do sistema híbrido têm cobertura de oito anos ou até 160 mil km.
Preços de revisões com preço fixo da Maverick híbrida:
- 10.000 km ou 1 ano: R$ 1.894
- 20.000 km ou 2 anos: R$ 1.894
- 30.000 km ou 3 anos: R$ 2.760
- 40.000 km ou 4 anos: R$ 2.343
- 50.000 km ou 5 anos: R$ 1.894
