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7 fatos sobre o Geely EX2

Às vésperas de ser montado no Brasil, compacto elétrico se destaca pela dirigibilidade e conforto frente aos rivais

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Fernando Miragaya

19 jun 2026

8 minutos de leitura

Geely EX2
EX2 é o hatch compacto elétrico da Geely que incomoda a BYD – Foto: Fernando Miragaya/AB

A chegada do Geely EX2 fez a BYD meio que provar do próprio veneno. Lembra que a segunda mexeu no mercado de hatches elétricos com o Dolphin? Pois é, este modelo agora é quem vê o novo rival crescer no retrovisor.

Isso porque a estratégia da Geely foi parecida. Se o Dolphin estreou em 2023 com mais espaço e equipamentos que os subcompactos elétricos da época, o EX2 surge com tamanho até parecido, só que dirigibilidade apurada e mais em conta que o concorrente.

Isso se reflete nas vendas. Enquanto o Dolphin Mini nem sente cócegas e é o elétrico mais vendido do país, o Geely EX2 encosta no Dolphin no ranking de licenciamentos. E com chances de passar o rival sem pedir licença.

Ainda mais que a Renault Geely confirmou a montagem do EX2 no Brasil. O que deve aumentar a oferta do simpático carro elétrico.

Neste embalo, a reportagem da Automotive Business teve a oportunidade de avaliar o compacto por uma semana em sua versão topo de linha Max, e em sua indefectível cor verde Pistachio. Veja agora 7 fatos sobre o Geely EX2.

1. Desempenho do Geely EX2

Geely EX2
EX2 tem motor e tração traseiros – Foto: Fernando Miragaya/AB

Na cidade, o Geely EX2 oferece aquela resposta de carros elétricos compactos. Com 116 cv, ele é mais potente que o Dolphin de entrada, e mais esperto: 0 a 100 km/h em 10,2 segundos, de acordo com informações da fabricante.

Isso no modo de condução Sport. Só que mesmo na opção Comfort o EX2 entrega agilidade nas arrancadas. Contribui para isso a tração traseira, que recebe o torque imediato de 15,4 kgfm e que empurra o carro com vontade.

2. Dinâmica e dirigibilidade

Geely EX2
Design abusa das linhas arredondadas na carroceria – Foto: Fernando Miragaya/AB

É o grande diferencial do Geely EX2 em relação aos seus rivais diretos – e também à maioria de veículos chineses. O modelo é feito sobre a base GEA, de Global Intelligent New Energy Architecture, uma plataforma integrada que ajuda a reduzir custos.

Na prática, o carro é gostoso de dirigir, sem aquele acerto molengão que tanto reclamamos nos rivais. A suspensão traseira multibraço lida bem com os buracos, quebra-molas e paralelepípedos, sem sacolejar a cabine. Na dianteira, o jogo McPherson sofre um pouquinho e reflete as imperfeições na direção, só que nada que incomode tanto.

Na estrada, ao encarar curvas, a carroceria se mostra comportada e a estabilidade chama a atenção. Só em altas velocidades a direção pede pequenas correções. E ao passar ao lado de um caminhão ou atravessar uma pista aberta com ventania, não se tem a sensação de que o carro sofreu o solavanco de um ogro gigante.

Manobrar também não requer esforços, já que o EX2 tem bom jogo e dimensões adequadas para o uso urbano. E na versão Max, quando você dá a seta ou engata a ré, a câmera 540 é um auxílio extra.

3. Espaço e conforto

Geely EX2
Compacto chinês tem dimensões adequadas para a cidade – Foto: Fernando Miragaya/AB

Outro ponto positivo do EX2. Com 4,13 metros de comprimento, 1,80 m de largura e 2,65 metros de entre-eixos, o hatch da Geely aparenta até ser menor para quem o encara de fora.

Porém, vamos primeiro aos pontos que precisam melhorar. A posição do banco parece não combinar com a do volante. E temos aquele minimalismo chato de carros chineses, com muitas funções comandadas na central multimídia.

A que mais irrita é a parte do ar-condicionado. Existem até botões físicos, mas o ajuste de temperatura, por exemplo, só pela tela e em sistema de barrinhas.

Pelo menos, os ajustes de espelho e vidros estão no descansa-braço do motorista. E a alavanca de câmbio, bastante sutil e até certo ponto elegante, fica no console central.

O acabamento tem bastante plástico, mas com encaixes e fechamentos honestos. As partes metalizadas, além das costuras no volante, bancos e descansa-braço emprestam certo ar de sofisticação. Já o revestimento do carregador de indução parece ter sido tirado de um tapete sujo de Fusca…

Geely EX2
Ao acionar a seta o sistema aciona a visão 540 – Foto: Fernando Miragaya/AB

Chama a atenção – para o bem e para o mal – a reprodução de um skyline iluminado no painel na altura do carona, e também nas portas. Outro ponto questionável é a multimídia, que só espelha Android Auto e Apple CarPlay com fio.

Para os demais ocupantes, o banco traseiro é interessante. Apesar de ter menos entre-eixos que o Dolphin, o Geely EX2 acomoda bem os passageiros, com certa folga para pernas e joelhos.

O porta-malas, por sua vez, é maior, com 375 litros, 30 litros a mais que o rival da BYD. E ainda tem o compartimento de 70 litros sob o capô.

Algumas peculiaridades que podem irritar o consumidor mais exigente. Os sensores instalados na versão Max do EX2 avisam ao motorista que o carro da frente andou. Tipo, se você está admirando um carro antigo ao lado ou se distraiu com a propaganda de um busdoor enquanto o sinal estava fechado, ele te avisa sonoramente e no painel que o trânsito já fluiu.

Tem ainda a musiquinha quando se engata a ré, que eu particularmente achei simpática. Parece um misto de música clássica com tema de video game do Super Mario.

4. Recarga e autonomia

Geely EX2
Modelo promete rodar quase 300 km com uma carga completa – Foto: Fernando Miragaya/AB

O EX2 usa bateria com 39,4 kWh de capacidade. É menos do que no BYD Dolphin, mas a autonomia é parecida. Pelos padrões do Inmetro, o alcance do Geely é de 291 km, ante 289 km do concorrente.

No mundo real da avaliação da AB o carro se mostrou, mesmo em modo Comfort e algumas vezes no Sport, bastante eficiente. Rodamos cerca de 200 km em uma semana e o computador ainda apontava autonomia acima dos 100 km.

A potência de recarga do EX2 é de 6,6 kW em carga lenta (AC), segundo a Geely, o que demanda 6h30 na tomada para completar as baterias. Já em aparelho tipo DC, de recarga rápida, com 70 kW bastam 21 minutos para ir de 30% a 80% da capacidade.

5. Cidadania brasileira

Depois de muitas negações, a Renault Geely confirmou a produção do EX2 no Brasil. O hatch elétrico será montado em sistema CKD a partir do segundo semestre de 2026 em São José dos Pinhais, no Paraná, planta originalmente da montadora francesa.

6. Equipamentos, posicionamento e vendas

Geely EX2
Teto pintado de preto é um dos diferenciais da versão Max – Foto: Fernando Miragaya/AB

O compacto zero combustão é vendido em duas versões de acabamento, com preços competitivos. A Pro custa R$ 123.800 e a Max chega a R$ 136.800.

As duas opções vêm bem equipadas, porém, só a Max recebe os itens de assistência à condução (ADAS). Veja a lista com os principais itens de série do Geely EX2 por versão:

  • Geely EX2 Pro: seis airbags, controles de subida e descida, monitoramento de pressão dos pneus, câmera e sensores de ré, ar-condicionado digital com saídas para o banco traseiro, chave presencial com partida por botão, central multimídia com tela de 4,6”, quadro de instrumentos eletrônico com display de 8,8”, sistema de som com quatro alto-falantes e três tomadas USB (tipo A e tipo C na frente e uma tipo A na traseira)
  • Geely EX2 Max: itens da Pro + frenagem autônoma de emergência, controle de cruzeiro adaptativo, alerta de mudança de faixa, farol alto inteligente, câmera 540, agendamento de recarga, acionamento remoto do ar-condicionado, ajustes elétricos do banco do motorista, carregador de smartphone por indução, som com seis alto-falantes, console central com revestimento premium, LEDs nos para-sóis e porta-luvas do tipo gaveta com volume de 10 litros.

Nas duas, o Geely é mais barato que o Dolphin, que foi atualizado na linha 2027 e começa em R$ 149.990 na versão básica, de 95 cv. O EX2 também custa menos que o novato GAC Aion UT, que começa em R$ 139.990, só que bem mais potente, com 204 cv.

Não admira as vendas do EX2 nesse sentido. Com base nos dados do Renavam informados pela Fenabrave (federação dos concessionários), de janeiro a maio o compacto da Geely somou 10.397 emplacamentos, pouco atrás do Dolphin (12.536).

7. Manutenção e pós-venda

A Geely oferece seis anos de garantia para o EX2, ou 150 mil km. A cobertura da bateria é aquela padrão, de oito anos, ou também 150 mil km.

As revisões são a cada 20 mil km ou um ano. Confira os preços do plano de manutenção:

  • 20.000 km / 1 ano: R$ 445
  • 40.000 km / 2 anos: R$ 857
  • 60.000 km / 3 anos: 445
  • 80.000 km / 4 anos: R$ 2.012
  • 100.000 km / 5 anos: R$ 445