
A nacionalização de 35% que a GWM Brasil busca chegará antes do que se imagina. A fabricante chinesa busca alcançar tal índice de localização em Iracemápolis (SP) para poder exportar o Haval H6 para a Argentina já em 2027.
Hoje, o nível médio de nacionalização dos modelos feitos na fábrica do interior paulista – além do referido SUV médio, são feitos lá a picape Poer e o Haval H9 – é de 20%. Isso já com a localização de peças na linha 2027 do H6.
GWM aumentou nacionalização com Haval H6
Vidros – fornecidos pela Saint Gobain -, alguns revestimentos, bateria 12V e processos de soldas do SUV já são feitas por fornecedores locais. Mas não é o suficiente para obedecer ao índice mínimo de 35% que permita a exportação para o mercado argentino.
“Estamos buscando localização maior para poder exportar o Haval H6 para a Argentina no ano que vem”, explica Ricardo Bastos, diretor de assuntos institucionais.
No caminho para essa maior nacionalização, a GWM já tem três fornecedores de pneus, que agora estão em processo de homologação. Para os bancos, negociações avançadas com a Lear.
Módulos eletrônicos feitos no Brasil
Desenvolver o parque de fornecedores é um desafio para qualquer empresa, ainda mais para as chinesas. Em 2023, a GWM apresentou um carro desmontado para potenciais parceiros verem quais componentes tinham possibilidade de localização.
Segundo Bastos, de onde menos se esperava, surgiu a possibilidade de capacidade de fornecimento mais rápido.
“Tivemos uma grata surpresa em relação aos componentes eletrônicos”, conta Bastos.
Pois é, sistemas eletrônicos se apresentaram como oportunidades rápidas de localização. Até porque, entre os principais fabricantes está a Bosch, parceira de longa data da GWM na China.
Ou seja, um dos próximos passos da GWM para conseguir exportar o Haval H6 para a Argentina passará pela aquisição de módulos eletrônicos, como os de ABS, junto a fornecedores locais.
Alíquota diferenciada
A busca por mais componentes produzidos por aqui não é para menos. A GWM faz uma montagem em Iracemápolis que ela chama “peça por peça”. Uma espécie de CKD, mas com as peças tributadas pelo país de forma unitária e não em conjunto.
Isso permite até uma flexibilidade para a logística de importação e para a empresa conseguir fornecedores locais para determinadas peças. Por exemplo, como a suspensão vem em partes, ficaria mais fácil nacionalizar só os amortecedores.
Até porque a GWM tem um compromisso com o governo federal. Além de aumento de conteúdo local, a montadora tem de mostrar um plano de desenvolvimento de componentes e de fornecedores nacionais.
Isso para manter a alíquota de importação “diferenciada” para seu modelo “quase CKD”, que fica na casa de um dígito e que tem validade de dois anos até o início das operações em Iracemápolis, que ocorreu em meados de 2025.
“Se pegarmos as alíquotas de 14% e 18% e compararmos com essas que estão abaixo de 10%, isso traz uma competitividade importante. Mas temos as contrapartidas”, explica o CEO da GWM.
Bastos, inclusive, diz que na semana passada foi entregue ao governo um documento que já aponta alguns desafios de localização.
Importante lembrar que, a partir de julho, as fabricantes que operam em sistemas CKD e SKD no país vão pagar imposto de importação com alíquota de 35%.
Fábrica do Espírito Santo será completa
Durante o Salão de Pequim, realizado na China em abril, o chariman da montadora, Jack Wei, havia sinalizado que a montadora precisava de mais processos locais em sua produção no Brasil, sobretudo estamparia de peças.
Hoje, a planta de Iracemápolis está em um ritmo de produção com 150 carros/dia e de 40 mil/ano. Até o segundo semestre o ritmo deve subir para 160 unidades diárias e 50 mil/ano.
Assim, ficaria para a futura fábrica de Aracruz, no Espírito Santo, que foi formalizada em fevereiro, a missão de receber esse tipo de equipamento.
A planta será responsável pela produção de um SUV compacto, provavelmente o Haval H4. E, segundo fontes, também produzirá motores.
“Espírito Santo tem de ser uma fábrica. Não começamos nada lá ainda, mas tem de ser completa, com estamparia”, admite o executivo.
