
A estratégia de eletrificação da General Motors no Brasil era meio confusa. Mas agora, com o Chevrolet Captiva elétrico, a fabricante parece ter colocado ordem na tomada quando fala do mercado local.
Tudo bem que a GM foi meio que “pioneira”. Em 2013, trouxe umas unidades do controverso Volt – elétrico com autonomia estendida – para testes. Em 2018, quando carro elétrico ainda era uma lenda do Chupa-Cabras, mostrou o Bolt no Salão de São Paulo daquele ano.
Só que as vendas do Bolt duraram só dois anos. Depois disso, a GM abriu mais uma porteira de elétricos, com Blazer EV e Equinox EV – este último, já fora de linha por aqui. Porém, foi com a leva mais recente, com Spark e Captiva elétrico, que a Chevrolet definiu melhor sua estratégia.
Captiva elétrico é um projeto chinês
Inicialmente, porque esses dois últimos modelos citados são projetos chineses, desenvolvidos pela GM em parceria com a Saic. Lá, o Captiva elétrico é vendido como Wuling Starlight S, enquanto aqui recebe a gravatinha da Chevrolet e montagem local.
Consequentemente, o preço também ajudou o Chevrolet Captiva elétrico. Em vez de valores estratosféricos como Blazer (R$ 503.190) ou o falecido Equinox EV (custava mais de R$ 350 mil), o SUV médio chinês com detalhes brasileiros se segura nos R$ 200 mil.
Mas há outros fatos interessantes sobre o Captiva EV. E que Automotive Business traz agora após uma avaliação de mais de 200 km e sete dias.
Desempenho do Captiva elétrico

O SUV é equipado com um motor elétrico de 201 cv e alimentado por uma bateria de 60 kWh. Assim como visto no Equinox, no Captiva elétrico o desempenho é bastante progressivo e gradual. Nada de acelerações muito abruptas.
Tanto que o 0 a 100 km/h do SUV, pelos dados da GM, é feito em 9,9 segundos, enquanto a máxima é limitada em 150 km/h – para preservar a bateria. Razoável para um veículo que pesa 1.800 kg.
Na estrada, o Captiva EV rende bem em velocidades de cruzeiro. E, como a maioria dos elétricos, não faz feio nas ultrapassagens, com seu torque instantâneo de 31,6 kgfm. Inclusive, em algumas retomadas em baixa velocidade e na cidade, não é difícil o carro cantar pneu.
Essa calibragem no desempenho deixa clara a pegada do Chevrolet Captiva elétrico. Priorizar o conforto a bordo em acelerações e retomadas e garantir uma autonomia interessante para a bateria.
Autonomia

Por falar em autonomia, pelo ciclo PBEV/Inmetro o Captiva elétrico pode rodar até 304 km com uma carga completa. No mundo real, porém, isso foi além.
Ao retirar o modelo na concessionária Simcauto, em Del Castilho, Zona Norte do Rio, o computador de bordo apontava autonomia de pouco mais de 400 km. Rodei por quatro dias seguidos e exatos 109 km só em vias urbanas cariocas.
Trânsito pesado e em poucos momentos consegui passar de 60 km/h. Um ambiente ideal para um BEV e, para felicidade geral da nação, a bateria tinha descarregado uns 30% e a autonomia informada pelo computador de bordo do SUV seguia boa, acima dos 300 km.
Bom salientar que nessas situações na cidade, deixei o modo de condução do Captiva elétrico majoritariamente em Eco ou Eco Plus – o carro ainda oferece outros dois: Normal e Esportivo.
Resolvi pegar a estrada em um bate-e-volta até Petrópolis, na região serrana fluminense. Foram cerca de 140 km, a maior parte trafegando acima dos 100 km/h permitidos na BR-040.
No percurso rodoviário de vez em quando fiz uso do modo Esportivo de condução, que entrega respostas um pouco mais rápidas. Contudo, pelo sistema, mantém um bom nível de regeneração de energia só de tirar o pé do acelerador.
Poucas vezes fiquei sem medo de ficar com pouca bateria em uma viagem – mesmo que curta – com um veículo elétrico. Na volta, no quadro de instrumentos o Captiva EV ainda garantia 98 km de alcance.
Não tive a experiência de recarregar o SUV. O que a GM fala é que a bateria de 60 kWh permite cargas em aparelhos de até 6,6 kW e em corrente direta (DC) a 120 kW. Nesses equipamentos, a fabricante fala em 30 minutos para recuperar de 30% a 80% da bateria do Captiva elétrico.
Conforto é o destaque

Além do conforto no rodar, o Captiva sobra neste quesito. É fácil e gostoso de dirigir, além de oferecer uma posição de condução ergonomicamente interessante. Isso apesar do bancos, que merecia ter abas mais envolventes e assento mais comprido para as pernas.
O quadro de instrumentos eletrônico com display de 8,8” é de fácil visualização e sem exageros. Exagerada é a central multimídia vertical com tela de 15,6” bem ao estio chinês de ser.
É até de fácil operação, mas é necessário cabo para fazer a conexão com Apple CarPlay e Android Auto. E o cabeamento é ruim, pois é feito abaixo do console central elevado.
Na parte de cima desse console, uma pegadinha: dois suportes para celular bem funcionais, só que parecem carregadores por indução – e não o são. Existem outras funções confusas, como o esguicho do limpador de para-brisa, feito por meio de uma alavanquinha.
São pequenos vacilos em meio a um ambiente muito agradável. O espaço interno do Captiva elétrico recebe bem cinco passageiros, beneficiado pelos 4,74 metros de comprimento e 2,80 metros de entre-eixos – superior à maioria dos rivais.
No banco traseiro, bom espaço para pernas, pés e joelhos, além de ser possível inclinar o encosto em até 30 graus. Os passageiros ali dispõem de obrigatórias saídas do ar e de tomadas USB, uma do tipo A e outra, do tipo C.
Outro destaque a bordo é o isolamento acústico – mesmo na estrada e em altas velocidades. O porta-malas não empolga. São 403 litros, ok, mas um volume abaixo do da maioria dos concorrentes.
A suspensão – com um jogo multibraço independente atrás -, por sua vez, trabalha bem. Apesar de uma calibragem suave, filtra melhor os buracos que os SUVs elétricos mais caros da Chevrolet.
Dinâmica

Em relação aos outros SUVs elétricos da Chevrolet, o Captiva também é melhor resolvido nesse aspecto. A direção se mostra firme e a mesma suspensão que garante aquela dose de conforto assegura boa estabilidade em curvas.
A carroceria torce dentro do esperado para um SUV dessas proporções. Só mesmo em velocidades acima de 100 km/h – em trechos permitidos – o volante demanda algumas correções mínimas.
Chinês feito no Brasil?

O Captiva é o segundo carro elétrico feito pela General Motors na Planta Automotiva do Ceará (Pace). As operações na antiga fábrica da Troller localizada na cidade de Horizonte começaram em 2025, com a linha de montagem do Spark.
A GM, inclusive, já confirmou para este ano o início da fabricação do Captiva híbrido na unidade. Porém, é importante ressalvar que a montagem de todos esses veículos se dá em um prosaico sistema SKD.
Preço, equipamentos e vendas

O Chevrolet Captiva elétrico voltou a ter o preço de lançamento: R$ 199.990. O que o deixa bastante competitivo nesta que é a faixa de mercado hoje mais concorrida no país, visto que há diversas opções de SUVs eletrificados e até puramente a combustão.
Desta forma, ele tem um preço competitivo em relação aos rivais de porte aproximado. Apesar de ser o menos potente, ele é maior que todos no comprimento, e só perde no entre-eixos para o Leapmotor C10.
Preços do Captiva Ev e dos rivais:
- Chevrolet Captiva EV: R$ 199.990
- Leapmotor C10 Elétrico: R$ 214.990
- GAC Aion V: R$ 214.990
- Geely EX5 Pro: R$ 205.800
- BYD Yuan Plus: R$ 269.990
- Jaecoo 7: R$ 224.990
- MG MGS5 Comfort: R$ 218.800
Em equipamentos, o Captiva elétrico é vendido aqui em versão única Premier e comete alguns pecados. Não tem espelhamento sem fio, carregador de celular por indução – encontrado até no Onix – e só o banco do motorista oferece regulagens elétricas, itens que são vistos na maioria dos concorrentes.
Na segurança, o esperado pacote ADAS, que atende pelo pomposo nome de Chevrolet Intelligent Driving. Lá estão o controle de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão frontal com frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, farol alto automático, entre outros.
Ainda na segurança, seis airbags e câmera 60 graus. No conforto, ar-condicionado automático (mas apenas com uma zona de temperatura), chave presencial, partida remota, retrovisores externos com aquecimento e rebatíveis eletricamente, freio de estacionamento eletrônico, Auto Hold e tampa do porta-malas com abertura e fechamento elétricos.
Completam o pacote faróis de LED, rodas com aros de 18” e teto-solar panorâmico.
Manutenção e pós-venda

A Chevrolet oferece três anos de garantia para o Captiva elétrico e oito anos ou 160 mil km de cobertura para a bateria. Confira o plano de manutenção do SUV com revisões do preço fixo.
- 10.000 km ou 1 ano: R$ 252
- 20.000 km ou 2 anos: R$ 1.076
- 30.000 km ou 3 anos: R$ 240
- 40.000 km ou 4 anos: R$ 908
- 50.000 km ou 5 anos: R$ 240
