
Tudo começou com esse simpático caixotinho. Sim, o 147 foi o pontapé inicial para a Fiat no Brasil, mas também um marco para a indústria automotiva local. Que explica muito o sucesso da marca italiana em seus 50 anos de história no país.
O primeiro automóvel da marca no país carrega pioneirismos que vão além da simbologia. Sejam mecânicos conceituais, muitos eram inéditos ou raros para o segmento de compactos por aqui.
O certo é que o Fiat 147 fez história. E aqui você terá um resumo dessa trajetória que se confunde com o cinquentenário da fabricante no Brasil.
As origens do Fiat 147

O Fiat 147 era baseado no 127 europeu, o último veículo projetado por Dante Giacosa, o pai do Topolino. Lançado no continente em 1971, foi eleito Carro do Ano por lá pelas soluções de engenharia que o faziam ser pequeno por fora, mas com espaço interno interessante para um compacto.
O começo no Brasil

O carro começou a ser produzido na fábrica da Fiat em Betim (MG), em 1976. Tinha diferenças em relação ao 127, em especial no desenho dos faróis , grades e para-choques.
O motor transversal de 1.049 cm³ gerava 55 cv e o câmbio era manual de quatro marchas – com seus “clássicos” engates duros e pouco precisos, dispensava os motoristas das séries de musculação.
A suspensão dianteira era do tipo McPherson. Já na traseira, o Fiat 147 usava jogo independente com braços oscilantes e barra estabilizadora.
Pioneirismos

A questão do aproveitamento do espaço citada no início tem muito a ver com o posicionamento do motor. Inclusive, o Fiat 147 foi o primeiro carro feito no Brasil com propulsor transversal.
Mas teve outros pioneirismos. Foi o primeiro automóvel nacional a ter para-brisa laminado. E também o pioneiro em ser dotado com coluna de direção retrátil.
Formiga atômica

No fim de 1978 a Fiat lançou a versão esportiva do 147. Chamada Rallye, ela estreou o motor 1.3 dentro da linha. O conjunto da família Fiasa recebeu pistões de maior diâmetro, dupla carburação e coletor de escapamento redimensionado.
Desta forma, o 147 Rallye gerava potência máxima de 72 cv a 5.800 rpm e torque de 10,8 kgfm a 4 mil giros. O 0 a 100 km/h ficava na casa dos 17 segundos e a máxima podia chegar a 144 km/h.
No estilo, alguns elementos marcaram a configuração, como faixas laterais e retrovisores em forma de cone. Também trazia faróis auxiliares, para-choque encorpado e a marca Fiat estilizada como nas versões esportivas italianas.
Na cabine, volante menor e com raios de alumínio, cintos dianteiros de três pontos, conta-giros no painel e, no lugar do cinzeiro, amperímetro e indicador de temperatura do óleo. Os bancos também eram exclusivos da versão, que mudou de nome para Racing após a reestilização.
O cachacinha

O maior feito do Fiat 147 foi, sem dúvida, ter sido o primeiro carro no mundo a ter um motor a etanol. O lançamento se deu em 1979, quatro anos depois de o governo federal lançar o ProÁlcool, ainda sob a sombra da Primeira Crise do Petróleo (1973).
O motor escolhido para beber combustível vegetal foi o 1.3 Fiasa. Por causa do etanol, a engenharia da Fiat teve de elevar a taxa de compressão de 7,5:1 (no 1.3 a gasolina) para 11,2:1. A potência subiu de 61 cv para 62 cv e, com a mistura mais rica, o consumo obviamente era 30% maior.
Para receber o álcool, a fabricante ainda teve de mexer no tratamento de algumas peças e sistemas, como dutos, bomba e tanque de combustível. Além do carburador, de um escapamento de alumínio e do tanquinho de gasolina para as partidas a frio.
Reestilização

A linha 1981 marcou a primeira atualização visual do hatch – com direito a sobrenome. O Fiat 147 Europa ganhou capô rebaixado e com linhas mais limpas, novos faróis retangulares com as setas nas pontas e para-choques de plástico.
As versões intermediárias tinham encostos de cabeça dianteiros e traseiros (algo raro naqueles tempos), volante de dois raios, revestimento aveludado dos bancos e cintos retráteis na frente. A opção Rallye estreou defletor, vidros verdes e servo-freio.
Série especial
Um ano após ser remodelado, o 147 ganhou a série 500.000 (em referência ao número de veículos produzidos pela Fiat no Brasil), limitada a mil unidades. Era baseada na versão GL, que, a propósito, tinha mudado de nome para CL naquele 1982.
Entre os equipamentos, faróis bi iodo, bancos dianteiros com encostos integrados, revestimento de tecido aveludado, conta-giros eletrônico, rádio AM/FM estéreo com a marca Fiat, alto-falantes nas portas com identificação da série na tela e antena com logo Fiat.
Mais atualizações

Não se engane com o sobrenome Spazio que o Fiat 147 passou a ter na linha 1983. As dimensões continuavam as mesmas, porém o hatch passou por mais uma (e última) reestilização – exclusiva das versões mais caras.
A frente adotou linhas arredondadas, grade redesenhada com as barras inclinadas da nova marca da Fiat e para-choques envolventes de plástico. O vidro traseiro ficou maior e as lanternas de perfil baixo chamavam a atenção.
Na cabine, volante mais baixo e painel redesenhado. Na mecânica, câmbio de cinco marchas e pedal de embreagem com “folga zero”. A versão esportiva deixou de ser Racing para virar Spazio TR.
As crias do Fiat 147
A plataforma do hatch se mostrou bastante versátil, enquanto a Fiat se revelou bem criativa. O 147 deu origem a diferentes carrocerias ao longo de sua trajetória.
147 Pick-up

Põe mais um pioneirismo na conta da linha 147 aí. Foi dessa base que nasceu a primeira picape compacta leve derivada de carro de passeio do país.
A Fiat 147 Pick-up surgou em 1978. Tinha caçamba curta, com apenas 600 litros, e capacidade de carga de até 380 kg. Usou os mesmos motores do hatch, 1.050 cm³ e 1,3 itro, e a tampa tinha abertura da direita para a esquerda.
Em 1981, a Fiat 147 Pick-up passou a usar a base da Panorama, o que aumentou consideravelmente suas capacidades. A caçamba passou para 825 litros e a carga útil subiu para meia tonelada.
Muito por conta também da suspensão traseira. O jogo independente usava feixe de molas transversal. Motor sempre 1.3 e a tampa da caçamba passou a ter abertura articulada.
A picapinha ainda teve uma versão City, com apelo mais esportivo e frente da linha Europa.
147 Furgão

Antes da picape, o Fiat 147 já mostrava seus dotes de comercial leve. Em 1977 a marca apresentou a variante furgão do hatch, baseada na versão mais simples do compacto e voltada para frotistas.
A receita era simples e ainda é muito usada até hoje. Não tinha bancos traseiros, o que aumentava o volume para mais de 1.100 litros. Os vidros de trás eram jateados e a carga útil, de 400 kg.
147 Fiorino

O primeiro Fiorino nasceu como um furgão em cima da 147 Pick-up. Com 3,78 metros de comprimento, 16 cm a mais que o hatch, começou com o compartimento de carga totalmente fechado e capacidade de transportar até 450 kg.
Esse 147 Fiorino ainda recebeu diferentes configurações. A Sttegiorni tinha proposta “híbrida”, pois possibilitava o transporte de passageiros, com bancos rebatíveis traseiros. Já a Vetrato tinha janelas de vidro no compartimento de carga.
Ainda teve tempo para a Combinato. Mais uma que permitia o transporte de passageiros, mas os assentos ficavam nas laterais, para caber mais gente. Interessante que todas as versões tinham um bagageiro sobre a cabine, não só para aumentar a capacidade de carga, como para melhorar a aerodinâmica do modelo
Panorama

A primeira station-wagon da Fiat no Brasil foi lançada em 1980. Com 18 cm a mais que o 147, teto elevado a partir da coluna do meio e antecipando a frente da fase Europa do hatch, a Panorama se destacava pelo porta-malas.
O espaço para bagagem contemplava 730 litros (até o teto) e 1.440 litros (com os bancos traseiros rebatidos). Ainda tinha a vantagem do bom vão para colocação de malas, já que a tampa começa quase junto ao para-choque.
Foram duas versões da Panorama, sempre com motor 1.3 e um câmbio manual de quatro marchas com engates mais suaves. Acompanhou a reestilização da linha Spazio em 1983 e foi fabricada até 1986.
Oggi

A variante sedã do 147 tinha uma proposta de certo status na linha. Já na fase Spazio do compacto, o três-volumes só foi vendido em versão completa CS, com um bom porta-malas de 440 litros.
O motor era sempre o 1.3, mas com sistema cut-off na carburação, em que uma válvula eletromagnética a injeção de combustível, mesmo com o carro em movimento mas sem o acelerador estar acionado.
O Oggi teve até uma série especial assinada pelo estilista Pierre Balmain. Só que a opção mais legal surgiu em 1984.
Foi quando estreou uma versão esportiva CSS. O motor 1.3 teve a cilindrada elevada a 1.415 cm³ e o sedã entregava 78 cv 11,4 kgfm. Direção mais direta, caixa de câmbio mais curta, suspensão recalibrada e detalhes no visual completavam o pacote esportivo.
Mesmo assim, o sedã não emplacou muito em vendas e durou dois anos, de 1983 a 1985, quando foi substituído pelo Prêmio.
O adeus
A chegada do Uno, em 1984, decretou o fim da produção do 147 Spazio. O hatch com a frente antiga e sem sobrenome ainda foi fabricado com o motor 1.050 até 1986. Na soma de todas as carrocerias, 1,27 milhão de unidades do compacto foram produzidas em Betim.
Galeria do Fiat 147



















