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história do automóvel

Fiat 147: fatos sobre o carro cinquentão que foi pioneiro no Brasil

Carro inaugural da marca italiana no país, hatch também estreou tecnologias por aqui e foi o primeiro veículo a etanol do mundo

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Fernando Miragaya

05 ago 2026

13 minutos de leitura

Fiat 147 ano 1976
Há 50 anos, 147 abriu os trabalhos da fábrica da Fiat em Betim

Tudo começou com esse simpático caixotinho. Sim, o 147 foi o pontapé inicial para a Fiat no Brasil, mas também um marco para a indústria automotiva local. Que explica muito o sucesso da marca italiana em seus 50 anos de história no país.

O primeiro automóvel da marca no país carrega pioneirismos que vão além da simbologia. Sejam mecânicos conceituais, muitos eram inéditos ou raros para o segmento de compactos por aqui.

O certo é que o Fiat 147 fez história. E aqui você terá um resumo dessa trajetória que se confunde com o cinquentenário da fabricante no Brasil.

As origens do Fiat 147

Fiat 127
Fiat 127, a inspiração para o nosso 147

O Fiat 147 era baseado no 127 europeu, o último veículo projetado por Dante Giacosa, o pai do Topolino. Lançado no continente em 1971, foi eleito Carro do Ano por lá pelas soluções de engenharia que o faziam ser pequeno por fora, mas com espaço interno interessante para um compacto.

O começo no Brasil

Linha de montagem do Fiat 147 em Betim no ano de 1976
A primeira linha de montagem do Fiat 147, em 1976

O carro começou a ser produzido na fábrica da Fiat em Betim (MG), em 1976. Tinha diferenças em relação ao 127, em especial no desenho dos faróis , grades e para-choques.

O motor transversal de 1.049 cm³ gerava 55 cv e o câmbio era manual de quatro marchas – com seus “clássicos” engates duros e pouco precisos, dispensava os motoristas das séries de musculação.

A suspensão dianteira era do tipo McPherson. Já na traseira, o Fiat 147 usava jogo independente com braços oscilantes e barra estabilizadora.

Pioneirismos

Pista de provas da Fiat Betim 1978
Os hatches na pista de testes da planta mineira, em 1978

A questão do aproveitamento do espaço citada no início tem muito a ver com o posicionamento do motor. Inclusive, o Fiat 147 foi o primeiro carro feito no Brasil com propulsor transversal.

Mas teve outros pioneirismos. Foi o primeiro automóvel nacional a ter para-brisa laminado. E também o pioneiro em ser dotado com coluna de direção retrátil.

Formiga atômica

Fiat 147 Rallye
Versão esportiva tinha faixas laterais, espelhos em formato cônico e faróis de longo alcance

No fim de 1978 a Fiat lançou a versão esportiva do 147. Chamada Rallye, ela estreou o motor 1.3 dentro da linha. O conjunto da família Fiasa recebeu pistões de maior diâmetro, dupla carburação e coletor de escapamento redimensionado.

Desta forma, o 147 Rallye gerava potência máxima de 72 cv a 5.800 rpm e torque de 10,8 kgfm a 4 mil giros. O 0 a 100 km/h ficava na casa dos 17 segundos e a máxima podia chegar a 144 km/h.

No estilo, alguns elementos marcaram a configuração, como faixas laterais e retrovisores em forma de cone. Também trazia faróis auxiliares, para-choque encorpado e a marca Fiat estilizada como nas versões esportivas italianas.

Na cabine, volante menor e com raios de alumínio, cintos dianteiros de três pontos, conta-giros no painel e, no lugar do cinzeiro, amperímetro e indicador de temperatura do óleo. Os bancos também eram exclusivos da versão, que mudou de nome para Racing após a reestilização.

O cachacinha

Fiat 147 a álcool 1979
Os primeiros carros a álcool do mundo

O maior feito do Fiat 147 foi, sem dúvida, ter sido o primeiro carro no mundo a ter um motor a etanol. O lançamento se deu em 1979, quatro anos depois de o governo federal lançar o ProÁlcool, ainda sob a sombra da Primeira Crise do Petróleo (1973).

O motor escolhido para beber combustível vegetal foi o 1.3 Fiasa. Por causa do etanol, a engenharia da Fiat teve de elevar a taxa de compressão de 7,5:1 (no 1.3 a gasolina) para 11,2:1. A potência subiu de 61 cv para 62 cv e, com a mistura mais rica, o consumo obviamente era 30% maior.

Para receber o álcool, a fabricante ainda teve de mexer no tratamento de algumas peças e sistemas, como dutos, bomba e tanque de combustível. Além do carburador, de um escapamento de alumínio e do tanquinho de gasolina para as partidas a frio.

Reestilização

Fiat 147 Europa 1981
Primeira atualização no 147 recebeu o sobrenome Europa

A linha 1981 marcou a primeira atualização visual do hatch – com direito a sobrenome. O Fiat 147 Europa ganhou capô rebaixado e com linhas mais limpas, novos faróis retangulares com as setas nas pontas e para-choques de plástico.

As versões intermediárias tinham encostos de cabeça dianteiros e traseiros (algo raro naqueles tempos), volante de dois raios, revestimento aveludado dos bancos e cintos retráteis na frente. A opção Rallye estreou defletor, vidros verdes e servo-freio.

Série especial

Um ano após ser remodelado, o 147 ganhou a série 500.000 (em referência ao número de veículos produzidos pela Fiat no Brasil), limitada a mil unidades. Era baseada na versão GL, que, a propósito, tinha mudado de nome para CL naquele 1982.

Entre os equipamentos, faróis bi iodo, bancos dianteiros com encostos integrados, revestimento de tecido aveludado, conta-giros eletrônico, rádio AM/FM estéreo com a marca Fiat, alto-falantes nas portas com identificação da série na tela e antena com logo Fiat.

Mais atualizações

Fiat 147 Spazio 1983
Variantes mais caras passaram a ter desenho da fase Spazio

Não se engane com o sobrenome Spazio que o Fiat 147 passou a ter na linha 1983. As dimensões continuavam as mesmas, porém o hatch passou por mais uma (e última) reestilização – exclusiva das versões mais caras.

A frente adotou linhas arredondadas, grade redesenhada com as barras inclinadas da nova marca da Fiat e para-choques envolventes de plástico. O vidro traseiro ficou maior e as lanternas de perfil baixo chamavam a atenção.

Na cabine, volante mais baixo e painel redesenhado. Na mecânica, câmbio de cinco marchas e pedal de embreagem com “folga zero”. A versão esportiva deixou de ser Racing para virar Spazio TR.

As crias do Fiat 147

A plataforma do hatch se mostrou bastante versátil, enquanto a Fiat se revelou bem criativa. O 147 deu origem a diferentes carrocerias ao longo de sua trajetória.

147 Pick-up

Fiat 147 Pick-up
A primeira picapinha do país

Põe mais um pioneirismo na conta da linha 147 aí. Foi dessa base que nasceu a primeira picape compacta leve derivada de carro de passeio do país.

A Fiat 147 Pick-up surgou em 1978. Tinha caçamba curta, com apenas 600 litros, e capacidade de carga de até 380 kg. Usou os mesmos motores do hatch, 1.050 cm³ e 1,3 itro, e a tampa tinha abertura da direita para a esquerda.

Em 1981, a Fiat 147 Pick-up passou a usar a base da Panorama, o que aumentou consideravelmente suas capacidades. A caçamba passou para 825 litros e a carga útil subiu para meia tonelada.

Muito por conta também da suspensão traseira. O jogo independente usava feixe de molas transversal. Motor sempre 1.3 e a tampa da caçamba passou a ter abertura articulada.

A picapinha ainda teve uma versão City, com apelo mais esportivo e frente da linha Europa.

147 Furgão

Fiat 147 furgão
Fiat 147 Furgão foi lançado em 1977 com capacidade de carga de até 400 kg

Antes da picape, o Fiat 147 já mostrava seus dotes de comercial leve. Em 1977 a marca apresentou a variante furgão do hatch, baseada na versão mais simples do compacto e voltada para frotistas.

A receita era simples e ainda é muito usada até hoje. Não tinha bancos traseiros, o que aumentava o volume para mais de 1.100 litros. Os vidros de trás eram jateados e a carga útil, de 400 kg.

147 Fiorino

Fiat Fiorino Vetrato
Versão Vetrato do Fiorino tinha janelas que deixavam a carga à mostra

O primeiro Fiorino nasceu como um furgão em cima da 147 Pick-up. Com 3,78 metros de comprimento, 16 cm a mais que o hatch, começou com o compartimento de carga totalmente fechado e capacidade de transportar até 450 kg.

Esse 147 Fiorino ainda recebeu diferentes configurações. A Sttegiorni tinha proposta “híbrida”, pois possibilitava o transporte de passageiros, com bancos rebatíveis traseiros. Já a Vetrato tinha janelas de vidro no compartimento de carga.

Ainda teve tempo para a Combinato. Mais uma que permitia o transporte de passageiros, mas os assentos ficavam nas laterais, para caber mais gente. Interessante que todas as versões tinham um bagageiro sobre a cabine, não só para aumentar a capacidade de carga, como para melhorar a aerodinâmica do modelo

Panorama

Fiat Panorama 1981
Perua compacta tinha teto elevado a partir da coluna central

A primeira station-wagon da Fiat no Brasil foi lançada em 1980. Com 18 cm a mais que o 147, teto elevado a partir da coluna do meio e antecipando a frente da fase Europa do hatch, a Panorama se destacava pelo porta-malas.

O espaço para bagagem contemplava 730 litros (até o teto) e 1.440 litros (com os bancos traseiros rebatidos). Ainda tinha a vantagem do bom vão para colocação de malas, já que a tampa começa quase junto ao para-choque.

Foram duas versões da Panorama, sempre com motor 1.3 e um câmbio manual de quatro marchas com engates mais suaves. Acompanhou a reestilização da linha Spazio em 1983 e foi fabricada até 1986.

Oggi

Fiat Oggi CS
Sedã queria agregar valor à linha compacta da Fiat

A variante sedã do 147 tinha uma proposta de certo status na linha. Já na fase Spazio do compacto, o três-volumes só foi vendido em versão completa CS, com um bom porta-malas de 440 litros.

O motor era sempre o 1.3, mas com sistema cut-off na carburação, em que uma válvula eletromagnética a injeção de combustível, mesmo com o carro em movimento mas sem o acelerador estar acionado.

O Oggi teve até uma série especial assinada pelo estilista Pierre Balmain. Só que a opção mais legal surgiu em 1984.

Foi quando estreou uma versão esportiva CSS. O motor 1.3 teve a cilindrada elevada a 1.415 cm³ e o sedã entregava 78 cv 11,4 kgfm. Direção mais direta, caixa de câmbio mais curta, suspensão recalibrada e detalhes no visual completavam o pacote esportivo.

Mesmo assim, o sedã não emplacou muito em vendas e durou dois anos, de 1983 a 1985, quando foi substituído pelo Prêmio.

O adeus

A chegada do Uno, em 1984, decretou o fim da produção do 147 Spazio. O hatch com a frente antiga e sem sobrenome ainda foi fabricado com o motor 1.050 até 1986. Na soma de todas as carrocerias, 1,27 milhão de unidades do compacto foram produzidas em Betim.

Galeria do Fiat 147

Fiat 147 Europa 1981