
Lembra do quadrado mágico da Copa do Mundo de 2006? Quase 20 anos depois, a Renault emplaca o Koleos, seu quarto jogador no mercado brasileiro dentro da estratégia de mostrar que sabe fazer carros que encantam.
Se naquele Mundial da Alemanha, Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Adriano alimentaram as esperanças no hexa, o Koleos Full Hybrid E-Tech forma o quarteto da marca no Brasil. Depois de Megane, Kardian e Boreal, o SUV híbrido chega para reforçar aquela imagem de “nova Renault”.
Renault Koleos seduz à primeira vista

Eu tive o primeiro contato com o novo SUV híbrido da marca francesa, que foi lançado em doses insuportavelmente homeopáticas. Começou com a apresentação oficial em março, depois o início da pré-venda, no começo de abril, e agora, um mês e meio depois, é a vez das impressões ao volante.
Mas bem antes de ligar o conjunto híbrido do SUV médio no Jardim Botânico de São Paulo (SP), vamos às primeiras impressões do que os olhos veem. O design do Koleos por si só é refinado, com muitos vincos e saliências bem trabalhadas.
Destaque ainda para a grade dianteira, que empresta aquele efeito de nichos que lembram pequenos diamantes e detalhes em azul. A propósito, o tom azulado da versão única Esprit Alpine é muito bonito, elegante e faz uma referência direta à divisão esportiva da marca francesa.
Sofisticação interna

Na cabine do Renault Koleos, o requinte salta ainda mais aos olhos. Revestimento de Alcantara, detalhes azuis nas portas, estampas nas abas dos encostos e assentos dos bancos, couro com costuras aparentes e partes em preto brilhante e alumínio. Tudo na dose certa e com muito bom gosto.
No banco do motorista, que assim como o do carona oferece ajustes elétricos e ventilação, acomoda muito bem o corpo. O volante é um pouco grande, mas tem boa pegada e base reta. Os instrumentos em display de 12,3” são fáceis de visualizar.
O enorme teto panorâmico se abre como um céu – azulado daquela tarde paulistana. E só reforça a sensação de espaço e conforto a bordo. No banco traseiro, há espaço de sobra para três ocupantes – e o encosto também é ajustável e há aquecimento ali.
Conjunto híbrido suficiente

Hora de rodar com o Renault Koleos e entender do que esse SUV é capaz. Ele usa conjunto híbrido pleno (HEV) com um motor 1.5 turbo a gasolina combinado a dois elétricos. Um destes fica acoplado ao câmbio automático DHT e outro funciona como gerador.
Na prática, os 245 cv de potência e os 32,6 kgfm de torque se mostram suficientes para mover o SUV híbrido pesadão e grandalhão. São 1.804 kg distribuídos em 4,77 metros de comprimento e 2,82 m de entre-eixos.
Começo pelo modo Eco de condução. As acelerações são comedidas, justamente para priorizar uma melhor eficiência de combustível. Segundo o PBEV/Inmetro, o Renault Koleos faz 13,1 km/l no ciclo urbano.
Pego uma via expressa e coloco o carro no modo Sport com aquela velha receita esperada: giros mais altos e respostas mais imediatas. Nesta opção o motor de combustão se faz muito mais presente e é nesse Sport em que a Renault diz que o Koleos faz o 0 a 100 km/h em 8,3 segundos.
Não usei os outros dois modos: o snow e o AI, que, segundo a fabricante, se vale de inteligência artificial para entender o modo de direção do motorista e adequar o conjunto híbrido ao perfil dele.
Preferi experimentar o som premium da Bose, com 10 alto-falantes em uma acústica eficiente da cabine e com função de cancelamento de ruído. Nem precisava: com a música desligada você não ouve nada do lado de fora. Pneus, rodagens, ventos e motor de combustão, tudo isolado de forma quase perfeita.
Plataforma é a mesma de carros da Volvo

A dinâmica é boa. Produzido na Coreia do Sul sobre a plataforma CMA (Compact Modular Architecture) – desenvolvida em parceria com a Geely e usada pelos Volvo EX30 e C40, além de modelos da Polestar e da Lynk & Co -, o Renault Koleos passa segurança nas retas.
Não consegui avaliar o SUV em curvas mais fechadas, A direção é que perde um pouco de precisão em velocidades mais altas, só que o habitat do Renault Koleos é mesmo a cidade.
E na volta ao trecho urbano, e mesmo em modo Eco, é possível perceber – muito discretamente – que o 1.5 a gasolina entra em ação mais que o que seria necessário para aquele momento de condução, em baixa velocidade e com leves investidas no acelerador.
A Renault diz que em 75% do uso urbano só o motor elétrico traciona as rodas do Koleos. Porém, só uma avaliação maior e por mais tempo, que AB fará em breve, pode comprovar isso melhor.
O fato é que o computador de bordo mostrou, ao fim do percurso, um consumo de 12,8 km/l – obviamente, tiveram aquelas esticadas na via expressa. Uma média apenas razoável se formos comparar com outros híbridos do pedaço.
Com quem o Koleos briga?

Importado em versão única e vendido por R$ 289.990, o Koleos acaba mais caro que outros SUVs médios híbridos plenos, como BYD Song Plus (R$ 249.990) e GWM Haval H6 HEV2 (R$ 223.600).
Na frieza da tabela, o modelo bate de frente com o Haval H6 PHEV 35, que é plug-in. Porém, o Renault Koleos é bem mais sofisticado e equipado que os chineses citados.
Agora é ver se o quarteto mágico tem melhor sorte que o da Copa de 2006, quando fomos eliminados, ironicamente, pela França nas quartas-de-final. Aqui, o jogo do Koleos é contra o custo-benefício dos adversários.
